Home Atualidades Brasil Trabalhadores municipais discutem temerosa reforma trabalhista e traçam enfrentamento

Trabalhadores municipais discutem temerosa reforma trabalhista e traçam enfrentamento

Fortalecer a unidade entre sindicatos municipais, promover cursos de formação para as bases e intensificar a luta para garantir a anulação da reforma trabalhista, foram alguns dos pontos deliberados no Ciclo de Seminários Reforma Trabalhista: O Golpe É Contra Você – etapa trabalhadores municipais. O encontro realizado nesta sexta-feira (29), reuniu dezenas de dirigentes de diversos sindicatos do entorno do DF para debater mecanismos de combate aos desmandos do governo ilegítimo de Michel Temer e traçar um plano de lutas para o próximo período.

De acordo com o Secretário de Organização e Política Sindical da CUT Brasília, Douglas de Almeida Cunha, além de conscientizar sobre os retrocessos, o evento foi fundamental para estreitar os laços entre as entidades. “Neste momento em que a retirada de direitos da classe trabalhadora é visível, mais que nunca, precisamos intensificar nosso trabalho junto aos sindicatos de todos os setores. Juntos, realizaremos o combate aos retrocessos.”

Em seu discurso, Douglas também destacou a necessidade de intensificar a participação dos trabalhadores municipais nas atividades da CUT. “Atualmente, os trabalhadores municipais representam grande parte do nosso setor de atuação, mas a participação poderia ser ainda maior. Por exemplo, mais de 17 municípios do entorno ainda não têm sindicatos e, com certeza, vão sofrer sem representação sindical diante dos desmandos do golpista Michel Temer. Por isso, é essencial a união das bases para garantir direitos de todos”, concluiu.

Além disso, foram deliberadas algumas pautas específicas, como por exemplo, ampliar a comunicação nesses sindicatos. “Nós, da CUT Brasília, estamos à disposição para ajudarmos no que for necessário nesse quesito. A comunicação é a chave para mobilizar as bases”, ressaltou.

A presidenta do sindicado dos Servidores Municipais do Valparaíso (Sindsepem/Val), Olízia Alves, parabenizou a iniciativa e também alertou para importância da luta. “Na atual conjuntura de constantes ataques que vivemos, promover debates como esse é de extrema importância para elaborarmos um plano de ação conjunto contra as reformas, e a defesa da democracia”, afirmou.

O Ciclo de Seminários teve inicio no mês de agosto e tem sido uma forma de fornecer aos sindicalistas e trabalhadores conhecimento sobre atual momento político. A ação foi uma parceria da CUT com o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Formação, comunicação e trabalho de base
No período da manhã desta sexta (29), o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, fez uma minuciosa análise conjuntural, abordando como os projetos do governo ilegítimo de Michel Temer atingem os servidores municipais e todo o conjunto de trabalhadores no país.

Ele apontou que golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff começou a ser orquestrado quando a oposição não aceitou a metodologia de empoderamento da classe trabalhadora e os avanços de políticas públicas fomentados. A partir daí, com a ajuda da mídia golpista e de movimentos neoliberais, o golpe foi consumado, trazendo imenso retrocesso à população.
Britto destacou que, com a consumação do golpe e a consequente apropriação do poder pelo golpista Temer, inúmeros projetos sociais foram cancelados ou modificados. Entre eles, destacam-se o Farmácia Popular, Bolsa Família e o Mais Médicos e outros. Paralelo a isso, programas entreguistas, que diminuem consideravelmente o papel do Estado na prestação de serviços à população, foram ganhando força no Congresso Nacional.

A Emenda Constitucional 95, Projeto de Emenda à Constituição que tramitou na Câmara com o número 241 e no Senado como PEC 55, é um exemplo claro da redução do Estado como promotor de políticas públicas. De acordo com a medida, os gastos públicos estão limitados por 20 anos, reduzindo drasticamente os investimentos em áreas essenciais como saúde e educação. O dirigente acentuou, ainda, as reformas trabalhista e previdenciária como dois projetos que agravam o cenário de caos para a classe trabalhadora.

Como solução para combater os retrocessos, Britto apontou a intensificação da formação sindical, o fortalecimento da comunicação alternativa como contraponto à mídia golpista e, sobretudo, muito trabalho base de base. O último ponto, segundo o dirigente, é fundamental para a coleta das 1,300 milhões assinaturas necessárias para que o Projeto de Iniciativa Popular (Plip) que revoga a reforma trabalhista comece a tramitar no Congresso Nacional.

“Precisamos combater o governo ilegítimo e todo o seu programa capitalista, conservador e de exploração da sociedade. Isso só será possível se atuarmos em unidade, levando o conhecimento e a mobilização diretamente à nossa base”, afirmou.

Fonte: CUT Brasília