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História da CUT Brasília

1984 – 2014

Uma trajetória vitoriosa da CUT Brasília

Para boa parte dos jovens de hoje (julho de 2014), com liberdade de se manifestar em um País com inflação controlada e quase pleno emprego, é difícil imaginar a conjuntura da época da fundação da CUT Brasília há exatos 30 anos.

O Brasil vive nesse momento a sua maior e mais profunda crise. O índice de desemprego e o aviltamento salarial atingem níveis sem precedentes na história do país e, mais uma vez, procura-se jogar sobre os ombros da classe trabalhadora a responsabilidade pela recuperação de uma crise que não foi gerada pelos trabalhadores, exigindo-se que estes produzam mais, a um custo ainda maior, para encher os bolsos dos banqueiros internacionais, das multinacionais e dos grandes patrões nacionais.

Os trabalhadores estão sentindo de forma mais imediata a necessidade de uma mudança.”

1ceclatEste é um trecho da análise de conjuntura nacional apresentada no 1º Congresso Estadual da Classe Trabalhadora – 1º Ceclat-DF. Após anos de ditadura militar, diversos setores sociais passaram a expressar publicamente sua indignação e a exigir cidadania em todas as dimensões. No campo sindical, ocorreram diversas greves e mobilizações, combinando lutas por salário, por direitos de organização e expressão e, acima de tudo, pela democratização do país.

O ano era 1984, um após a fundação da CUT Nacional. Nos dias 7 e 8 de julho daquele ano, a CUT Brasília começava sua trajetória. A Escola Santa Dorotéia, localizada na Quadra 911 Norte, recebeu dezenas de sindicalistas para o 1º Ceclat-DF, o evento que fundou a Central no DF.

Para este Congresso foram inscritos 146 delegados, dos quais 121 participaram efetivamente, oito observadores e 52 convidados.

Os delegados representavam 15 sindicatos: Jornalistas, Arquitetos, Vigilantes, Domésticas, Nutricionistas, Economistas, Engenheiros, Assistentes Sociais, Gráficos, Médicos, Enfermeiros, Orientadores e Formadores Profissionais, Auxiliares de Administração Escolar, Professores e Servidores.

Os observadores e convidados pertenciam às seguintes categorias: Bancários, Sociólogos, Psicólogos, Motoristas, Aposentados e Construção Civil.

Nestes dois dias foram discutidos: Conjuntura Política Nacional, situação do Movimento Sindical Nacional e local, e Estruturação da CUT-DF.

Reivindicações

A fundação da CUT foi fruto de uma ampla mobilização sindical/social que começou no final da década de 70. Um processo de aguerrido enfrentamento popular – com vistas à redemocratização do país – que levou a ditadura militar a dar os primeiros sinais de enfraquecimento.

À época,as principais reivindicações dos trabalhadores eram:

– Pelo fim da política econômica do governo;

– Por liberdade e autonomia sindical;

– Pelo salário-desemprego;

– Pela estabilidade no emprego;

– Pela reforma agrária sob o controle dos trabalhadores;

– Por eleições livres e diretas, já;

– Pelo fim do regime militar.

Rumo à consolidação

O documento que assinala a fundação da CUT Brasília diz o seguinte:

Para nós, a criação da CUT-DF significa um passo concreto no processo de consolidação da nossa Central Única e deve significar também a união de um maior número de companheiros na luta intransigente pela defesa de nossas reivindicações e no combate ao desatrelamento dos nossos sindicatos. Assim estaremos construindo nossa organização de base, democrática e de luta”.

Em outro trecho mais adiante:

Concretizou-se mais uma vitória na luta pela construção da Central Única dos Trabalhadores, pela base, a nível nacional, com a fundação da CUT-DF no 1º Congresso Estadual da Classe Trabalhadora do DF – 1º Ceclat -, realizado nos dias 07 e 08 de julho de 1984”.

Confira a 1ª Direção Estadual

  • Francisco Domingos (Chico Vigilante) – presidente da Associação Profissional dos Vigilantes;

  • Maria Laura Sales Pinheiro – base dos Servidores Públicos;

  • Neuza Maria Rodrigues – base dos Professores;

  • Francisco Chagas Machado Filho – presidente da Associação Profissional dos Economistas do DF;

  • Paulo Henrique Veiga – diretor do Sindicato dos Arquitetos do DF;

  • Jacques de Oliveira Pena – diretor do Sindicato dos Bancários do DF;

  • Romualdo Silveira Filho – tesoureiro do Sindicato dos Médicos;

  • Antônio Geraldo Sobrinho – diretor do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar;

  • Djalmir Augusto de Assis – presidente do Sindicato dos Gráficos;

  • Antônio Cezar Almeida – diretor do Sindicato dos Engenheiros;

  • Adelino Cassis – presidente da Associação dos Aposentados do DF;

  • Francisco Pereira – Radialista.

Executiva Estadual

  • Presidente – Francisco Domingos (Chico Vigilante)

  • Secretário-Geral – Jacques Pena

  • Tesoureiro – Romualdo Silveira Filho

  • Secretária de Organização – Maria Laura Sales Pinheiro

  • Secretário de Relações Públicas – Francisco Chagas Machado Filho

  • Secretário de Formação Sindical e Política – Djalmir Augusto de Assis

Conselho Fiscal

  • Antônio de Pádua Maia – diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília

  • Heliane Morais Nascimento – base dos Servidores Públicos

  • Pedro Paulo Vila Nova – diretor da Associação Profissional dos Vigilantes

  • Miriam Vaz Parente – diretora da Associação Profissional dos Economistas

  • José Eudes Oliveira Costa – base da Administração Escolar

A CUT somos todos nós!

Na resolução aprovada sobre a estruturação da CUT Brasília, apresentada no 1º Ceclat, há um trecho que demonstra o acerto inequívoco de criar a Central no DF para avançar nas lutas, impulsionando a organização dos trabalhadores. Confira:

A construção da CUT responde à necessidade de organizar os trabalhadores em suas lutas concretas por melhores salários, por melhores transportes, por condições dignas de habitação, por liberdade e autonomia sindicais.

Ao longo de um ano, ela vem se implantando com dificuldades, com insuficiências. Ao longo de um ano também vem sendo combatida. Mesmo assim prossegue em sua implantação.

Ao discutirmos sua implantação no Distrito Federal, podemos ver mais claramente toda a situação concreta que envolve a construção da CUT. Combatida por uns, incompreendida por outros, entretanto vista por todos nós como necessária. Poderemos não ter hoje, neste Ceclat, o conjunto das categorias do DF. Mas podemos afirmar que temos um bom começo. Se todos nós que compreendemos a necessidade e a importância da CUT nos empenharmos efetivamente em sua implantação em nossas categorias, teremos a cada ano Congressos mais fortes e mais representativos. Este deverá ser apenas o começo. Com base em nossa decisão, no plano de lutas e na realidade objetiva dos trabalhadores poderemos avançar e neste processo prático de lutas, impulsionando a organização dos trabalhadores, fortaleceremos a CUT, a construiremos efetivamente.

Os membros da Direção Nacional da CUT-DF defendem, portanto, a criação da CUT-DF neste CECLAT, acreditando ser esta a melhor forma de viabilizar e implantar a Central Única dos Trabalhadores na capital federal.

VIVA A CUT!

A CUT SOMOS TODOS NÓS!

Brasília, 7 de julho de 1984”

 

Somos Fortes, Somos CUT!

Em sua atuação sindical, a Central sempre defendeu a liberdade de organização e de expressão, e se orientou por preceitos de solidariedade. A luta pela universalização dos direitos foi reafirmada ao longo do tempo com a participação ativa da CUT na construção de políticas públicas e afirmativas de vários setores e segmentos da sociedade.

Por isso, a CUT Brasília, assim como a CUT nacional, foi desde o início a maior Central Sindical do Distrito Federal. Fortalecendo-se e crescendo dia-a-dia, representa mais de 80% dos trabalhadores urbanos e rurais, dos setores públicos e privados, sendo constituída atualmente por 90 entidades sindicais de Brasília e da Região Integrada de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal e Entorno (Ride).

Durante todos esses 30 anos de lutas e conquistas para a classe trabalhadora, a CUT Brasília sempre figurou como protagonista nos episódios que marcaram a história do Brasil, como a Campanha pelas Eleições Diretas Já!; a luta pela participação dos trabalhadores na Assembleia Nacional Constituinte de 1988; o impeachment de Fernando Collor de Mello; a luta contra o modelo neoliberal; contra s privatizações e o desmonte do Estado; a campanha vitoriosa que elegeu pela primeira vez um operário como presidente do Brasil, entre outros importantes capítulos da história recente do país.

A Central Única comemora, assim, importantes vitórias em suas reivindicações históricas; ao mesmo tempo em que novos desafios surgem na sua pauta, como a luta pela unidade da classe trabalhadora – com todo poder aos sindicatos -, a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável centrada no trabalho e a ampliação de políticas públicas com maior controle social sobre o Estado.

As três décadas de história, de resistência, de lutas e conquistas do movimento sindical brasiliense deve ser motivo de orgulho para todos aqueles que ajudaram a construir a democracia e a liberdade no país.

Mas a comemoração dos 30 anos de CUT Brasília não é só pra celebrar e relembrar os homens e mulheres que construíram e constroem essa história. É também para incentivar e mostrar aos jovens a necessidade de manter o que foi conquistado até hoje. Mais do que isso, de mobilizá-los para lutar para mais e mais conquistas a eles e às futuras gerações.

Todo poder aos Sindicatos!

Somos fortes, somos CUT!

Presidentes da CUT Brasília

Chico Vigilante (1984 – 1990)

Elzira Maria do Espírito Santo (1990 – 1991)

Jacy Afonso de Melo (1991 – 1994)

José Zunga Alves da Silva (1995 – 2000)

Erika Kokay (2000 – 2002)

João Torquato dos Santos (2002 – 2003)

João Osório da Silva (2003 – 2006)

Rejane Pitanga (2006 – 2010)

José Eudes Oliveira Costa (2010 – 2012)

Rodrigo Britto (atual presidente)

Para saber mais

Para marcar os 30 anos da CUT Brasília, a Central criou uma página no Facebook (https://www.facebook.com/cutbrasilia30anos), como forma de homenagear aqueles que fizeram e aos que continuam fazendo a luta sindical.

Neste endereço há entrevistas com dirigentes da época, imagens e documentos históricos que contam esta trajetória vitoriosa de lutas e conquistas. É uma história em construção, inacabada. Aberta a contribuições, com relatos e documentos, de todos que participaram desse processo.

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