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Em audiência pública no Senado, movimentos sociais cobram rapidez na investigação de mortes no Pará

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) cobraram das autoridades federais e paraenses proteção de testemunhas e rapidez na conclusão das investigações da ação policial que terminou com dez mortes de trabalhadores rurais no Pará. A comissão se reuniu nesta segunda-feira (12) para tratar do assunto e também demonstrou apoio à criação de uma ouvidoria agrária nacional de atuação independente.

O deputado estadual Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará, denunciou alterações na cena do conflito na Fazenda Santa Lúcia e a maneira desumana como foram removidos os corpos das vítimas.

“Retiraram os corpos de forma inapropriada, desumana, em carroceria de caminhonetes como se fosse gado. Isso já compromete as futuras investigações. O Estado não deu o menor suporte às famílias. Eu fiquei chocado. Houve de tudo lá, menos confronto. Os policiais deixaram de observar regras claras de conduta”, afirmou o parlamentar, que desmentiu, juntamente com a procuradora Deborah Dupratt, a versão da polícia de que houve confronto com as vítimas.

Retrocesso

Para a secretária de Relações de Trabalho da CUT, Graça Costa, é de extrema importância que esse espaço seja dado para denunciar o que estão fazendo e o que a mídia golpista não divulga. “Com as reformas golpistas essas situações tendem a piorar. Precisamos eliminar de uma vez por todas esses crimes em áreas rurais. Para isso, nossa democracia precisa ser restabelecida”, afirmou.

Presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), a audiência desta segunda-feira foi realizada a pedido de Paulo Rocha (PT-PA), que lamentou o retrocesso do país em vários setores e relembrou outras tragédias ocorridas em terras paraenses, como o massacre de Eldorado do Carajás, há 21 anos. “O problema no Pará é a ausência do Estado. E o pior é quando se processa um conflito desse, o Estado sempre opta por um lado”, lamentou.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), por sua vez, criticou o governo Temer, formado, segundo ela, por homens brancos e ricos, e medidas políticas, como a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Fonte: Agência Senado