Home Atualidades Brasil Bancários lutam para que reforma Trabalhista não altere Convenção Coletiva

Bancários lutam para que reforma Trabalhista não altere Convenção Coletiva

O Comando Nacional dos Bancários entregou documento à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) nessa terça-feira (8) reivindicando assinatura de um Termo de Compromisso que garanta à categoria os direitos e conquistas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), ameaçados pela lei da terceirização e pela reforma trabalhista. A Fenaban disse que vai estudar a reivindicação para se posicionar.

O documento, aprovado pela 19ª Conferência Nacional dos Bancários realizada em São Paulo de 28 a 30 de julho, foi entregue durante continuidade da mesa de negociações sobre as cláusulas 37 (monitoramento de resultados), 62 (centros de realocação e requalificação profissional) e 65 (adiantamento emergencial de salários em período transitórios de afastamento por doença) da CCT.

“Esse ato marca o início do calendário das negociações deste ano e propõe estabelecer limites às mudanças que ocorreram na CLT em prejuízo dos bancários e da classe trabalhadora. Vamos lutar na defesa dos direitos dos bancários conquistados em um século de lutas e mobilizações,” afirma Cleiton dos Santos, presidente da Federação dos Bancários do Centro Norte (Fetec-CUT/CN).

Segundo o Dieese apontou em seminário realizado pela Contraf-CUT nesta segunda-feira 7, a reforma trabalhista aprovada no mês passado pode alterar 43 cláusulas da Convenção Coletiva, principalmente no que diz respeito a emprego, remuneração e saúde de trabalhador.

“A reforma trabalhista unilateral e sem nenhum debate com os trabalhadores desqualificou nossos direitos e tratou as conquistas duramente acumuladas como privilégios”, afirma o documento do Comando Nacional dos Bancários entregue à Fenaban.

“É necessário dizer que não concordamos com a prevalência do negociado sobre o legislado na perspectiva da redução de direitos conforme deseja esta reforma”, acrescenta o texto. “Nesta perspectiva, propomos reunião para tratar da construção de um Termo de Compromisso entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários que proteja empregos, resguarde direitos históricos e que delimite os atos nocivos que podem advir das referidas leis e de outras que ainda tramitam no Congresso Nacional.”

A rodada de negociação
A reunião desta terça-feira foi marcada para dar continuidade às negociações sobre as cláusulas 37 (monitoramento de resultados), 62 (criação de centros de realocação e requalificação profissional) e 65 (adiantamento emergencial de salários nos períodos transitórios de afastamento por doença), que se estendem desde o final de 2016.

“Os representantes dos bancários resistiram à investida dos banqueiros, que querem impor retrocessos na cláusula 37 da nossa Convenção Coletiva, que proíbe o rankeamento da produção dos bancários nos locais de trabalho. E os bancos em contrapartida disseram que ainda vão discutir nossas reivindicações sobre a cláusula 65 e trarão um posicionamento na próxima reunião”, diz Edson Gomes, presidente do Sintraf Amapá, que representou a Fetec-CUT/CN na mesa de negociações desta terça-feira.

Sobre a cláusula 37, os bancários mantêm a posição contrária à divulgação do “ranking individual de trabalhadores”. “A divulgação do ranking individual, expondo quem eram os melhores e quem eram os piores dos locais de trabalho, se transformou num instrumento de tortura, assédio e humilhação. Em bom momento conquistamos o seu fim. Os bancos querem agora rediscutir um modo de divulgar alguns melhores, mais já sabemos onde isso vai acabar. Nosso temor é que alguns gestores se aproveitem desta e voltem a cobrar de forma agressiva que os trabalhadores sejam ‘os melhores’”, esclareceu o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten.

Diante da resistência do Comando Nacional, a Fenaban propôs uma nova negociação para o dia 24 de agosto. “A expectativa é que consigamos definir os pontos relativos àcláusula 62”, finalizou von der Osten.
Também ficou estabelecido um calendário de negociações.

Veja aqui o termo de compromisso completo

Fonte: Sindicato dos Bancários de Brasília