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Vanessa Galassi

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Nesta sexta (24/11), a Câmara Legislativa do Distrito Federal será palco de mais uma audiência pública para debater a privatização da Eletrobras e seu impacto para a sociedade. O encontro, que acontece a partir das 15h, deve reunir dirigentes sindicais, parlamentares categoria eletricitária e movimentos sociais contrários à medida. Em seguida, às 17h, artistas locais que apoiam à luta realizam um ato show do lado de fora da Casa.

De acordo com a dirigente do Sindicato dos Urbanitários do DF, Fabíola Antezana, a expectativa é que, da discussão, seja aprovada uma moção de repúdio contra a venda da maior estatal elétrica da América Latina. Para ela, é fundamental que os trabalhadores do ramo participem da ação.

“É a categoria quem faz a mobilização. Se estivermos juntos, lutando pela mesma causa e pressionando os parlamentares na Câmara e na sua base eleitoral, vamos conseguir que eles se posicionem contrário a essa medida”, disse.

Fonte: CUT Brasília

Nesta terça-feira (21/11), a comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a Proposta de Emenda à Constituição 181 dará continuidade à discussão da PEC que proíbe o aborto em todas as situações atualmente previstas na lei. Ou seja, pela proposta, mulheres que forem estupradas, tiverem feto anencéfalo ou estiverem em risco de vida, deverão manter a gravidez até o fim da gestação. A reunião será realizada às 14h, no plenário 8. Haverá transmissão ao vivo pela WebCamara.

O texto principal foi aprovado no dia 8 de novembro, por 18 x 1. Só a deputada Érika Kokay (PT-DF) votou contra a medida. A comissão é formada por 28 deputados – 24 deles publicamente contrários à legalização do aborto e dos quais apenas três são mulheres.

Inicialmente, a PEC 181/2011, de autoria do senador tucano Aécio Neves, tratava da ampliação de direitos trabalhistas, como o aumento do tempo da licença-maternidade para mulheres cujos filhos nasceram prematuros.

Entretanto, a aparente boa intenção virou um “cavalo de tróia”. Isso porque o texto original foi modificado substancialmente em dezembro, após pressões da bancada religiosa no Congresso levarem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a instalar tal comissão para discutir a interrupção da gravidez. O movimento pode ser lido como uma reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de descriminalizar o aborto no primeiro trimestre.

O relator, o deputado Tadeu Mudalen (DEM-SP), aproveitou o ensejo para incluir a palavra “concepção” no texto que altera dois artigos da Constituição e definir que a vida começa ainda no ventre da mãe, posição-chave defendida por aqueles contrários ao aborto como direito da mulher.

Na prática, tal definição, inserida no texto constitucional, inviabilizaria qualquer discussão sobre o aborto no Brasil, além de criminalizar os casos em que o procedimento hoje é permitido.

Se o projeto for aprovado pela comissão, ainda segue para votação no plenário da Câmara, em dois turnos. Logo depois, se o texto passar, vai para análise no Senado.

Fonte: CUT Brasília, com Carta Capital

 

Com 14 dias de atraso, os 700 trabalhadores terceirizados da limpeza e conservação de hospitais regionais do DF receberam os salários nessa segunda (20/11) e encerraram a greve deflagrada no dia 13 de novembro. As atividades foram normalizadas nesta terça-feira (21/11) nos hospitais e postos de saúde de Ceilândia, Taguatinga, Brazlândia, Guará, São Sebastião, Samambaia, Núcleo Bandeirante e do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

A direção do Sindiserviços-DF, sindicato que representa a categoria, negocia o abono dos dias parados com a Ipanema, empresa à qual os terceirizados prestam serviço.

Para o diretor do Sindiserviços-DF, Antônio de Pádua, a greve também foi uma forma de protesto contra os constantes atrasos salariais que, só neste ano, já ocorreram cinco vezes. “É desrespeitoso o que as essas empresas fazem com os trabalhadores. Por isso, a greve foi mais que justa para, mais uma vez, dizer que o trabalhador não vai aceitar a negligência com que vem sendo tratado”, declarou.

Fonte: CUT Brasília

ESPECIAL SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

_“Deixa eu cantar
Quando eu canto sou mais negro, sou mais forte
Tenho a vida e tenho a morte”_

A música é a combinação perfeita de sons e silêncio. Por meio dela, se conta histórias, se transmite sentimentos, se revive momentos. Mas, para o negro, essa manifestação artística tem significado mais valoroso: se estabelece como uma forma de resistência, como um dos principais instrumentos de formação cultural e de preservação da identidade afro.

Por séculos, durante o período escravocrata, a musicalidade esteve presente nos esforços diários nas lavouras de café, de cana-de-açúcar e nas grandes plantações. Os escravos cantavam para aliviar os impactos das condições desumanas que lhes eram oferecidas e, de quebra, com canções tomadas de muita sabedoria, passavam a outras gerações os ensinamentos de seus ancestrais. Ali, naquele cenário precário e desalmado, a música trazia alegria, aliviava dores e dava sabor à vida.

Com o passar do tempo, a exploração e o comércio de escravos separaram povos e espalharam pelo mundo vidas que continuaram ligadas pelo elo da música. No Brasil, esse transbordamento musical foi elemento determinante para formação da identidade do povo. No entanto, apesar da presença marcante nos traços culturais, os valores e tradições de origem africana ainda são bastante reprimidos, principalmente, quando são manifestados por negros.

Nesse cenário de repreensão e desvalorização, figuras importantes, que por vezes passam despercebidas na sociedade, tentam se sobressair e manter vivas as suas histórias. É o caso de Sérgio Magalhães, 53 anos, morador de Sobradinho. Sambista e pedreiro, ele vê a música como algo que vai além da sobreposição de notas e harmonias. Vê na musicalidade um importante instrumento para transmitir mensagens de libertação e amor.

“Como pedreiro, construo casas. Como sambista, construo música. Não importa a função que se exerça, construir é sagrado. Todo samba que nasce com inspiração e encontra em seu instrumento (compositor) o respeito e o reconhecimento da grandeza deixada pelos nossos ancestrais, traz em si, a força dessa raiz”, aprecia.

Sérgio Magalhães, sambista e pedreiro

É com esse reconhecimento e respeito à sua origem que Sérgio se prepara para lançar o primeiro álbum autoral. Intitulado “Ouro do meu peito”, suas músicas são carregadas de melodia, harmonia e ritmo. As canções expressam, também, o manifesto de um povo à opressão social que desvaloriza a cultura afro-descendente. Nelas, se externam o amor, histórias vividas e as injustiças sofridas. É com satisfação que ele diz “resistir é nossa função. Conquistar é nossa honra”.

Na peleja para preservar sua história, Sérgio integra um projeto social no entorno do Distrito Federal, que leva música para crianças e jovens de baixa renda, e enaltece as raízes negras. “O projeto social é uma firma de resistência e irmandade junto àqueles que não conseguem alcançar o que a gente alcança, mesmo com as dificuldades. Dividir com nossos irmãos o que a vida nos dá por acréscimo de bondade, é dar continuidade ao que os nossos ancestrais nos deixaram. Esse é nosso maior tesouro, nossa força, nosso Axé!”, conta com orgulho.

O mesmo orgulho sente a estudante de Letras, Lilian Gomes, 22 anos, ao escutar músicas que retratam a sua realidade. “Uma música feita pelos nossos, muitas vezes, é carregada de ancestralidade. Uma herança que além de desenterrar nossas raízes, nos traz sentimentos que sei que uma pessoa branca, por exemplo, não vai sentir ao escutar a mesma letra porque algumas vivências são muito nossas.”

Ela se lembra com nostalgia do dia em que escutou Mandume, canção do rapper Emicida. A música faz referência a um dos principais reis dos Cuanhamas, do sul da Angola, que liderou movimentos contra a colonização portuguesa, se tornando um dos principais nomes dessa luta. Para Lilian, foi um momento ímpar, em que pode compreender o poder que uma música tem. “Nunca me esqueço do que senti e como me arrepiei aquele dia. Sempre converso com alguém a respeito”, recorda.

Lilian Gomes, estudantes de Letras

Lilian considera que a música, nas condições que são oferecidas à população negra, tornou-se um meio de conscientização para que os jovens consigam compreender a realidade em que vivem. “Já ouvi relatos de pessoas falando de como as letras dos Racionais, por exemplo, foram importantes para se adquirir uma consciência ou até mesmo resistência psicológica pra crescer dentro de uma periferia e não seguir caminhos que, geralmente, são “regra” pra população negra”, afirma.

E assim, no decorrer do intenso e dolorido processo de formação cultural, a música foi ganhando novos significados na vida população negra: resistir, conscientizar, formar e, principalmente, preservar a identidade de um povo. Tal qual Zumbi dos Palmares resistiu, o negro de hoje resiste e se opõe à opressão da elite dominante. Canta suas dores, seus desamores, sua realidade. Não deixa, porém, de carregar no peito a vontade de vencer e de conquistar um mundo mais justo e inclusivo.

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A valorização da estética negra como “ato político”

Fonte: CUT Brasília, por Leandro Gomes / Supervisão: Vanessa Galassi

Começa neste 20 de novembro os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher. No Brasil, a data foi escolhida para ser concomitante ao Dia Nacional da Consciência Negra, com o objetivo de enfatizar a dupla discriminação sofrida pela mulher negra.

De acordo com o Disque 180, as mulheres negras representam 58,8% das vítimas em casos de violência doméstica. Elas também são 65,9% das que sofrem com a violência obstétrica, como aponta a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Já o Ministério da Saúde mostra que elas morrem mais em decorrência do parto: são 53,9% dos casos.
As mulheres negras também enfrentam desigualdade no ambiente de trabalho. Segundo o IBGE, o rendimento médio delas é de R$ 800 ao mês. Já homens brancos chegam a ganhar quase o dobro: R$ 1.559.

“Essa é uma realidade que temos que combater diariamente em todos os espaços. Temos que falar sobre o tema, orientar a sociedade e acabar, de uma vez por todas, com o racismo e a violência contra a mulher, que, casados, cria o que há de mais repugnante na sociedade”, avalia a secretária de Mulheres da CUT Brasília, Sônia de Queiroz.
Para tentar resolver o problema, foi criada em 2003 a Secretaria Especial de Política para Mulheres. Desde então, o país reconhecia a necessidade de um olhar mais cuidadoso para a melhoria da qualidade de vida das mulheres negras, porém a pasta foi extinta pelo governo Temer.

Saiba mais

A Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é uma mobilização anual, praticada simultaneamente por diversos atores da sociedade civil e poder público engajados nesse enfrentamento. Desde sua primeira edição, em 1991, já conquistou a adesão de cerca de 160 países. Mundialmente, a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, passando pelo 6 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Como no Brasil a campanha começa antes, no dia 20 de novembro, são 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher.

Fonte: CUT Brasília, com Rede Brasil Atual e www.compromissoeatitude.org.br

 

Em continuidade à agenda de greve, os trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) têm várias ações de mobilização marcadas para esta segunda (20), que envolvem debates, atividades culturais e outras. O movimento paredista, que já dura sete dias, foi ratificado em assembleia realizada na sexta (17), onde a categoria se posicionou contrária à proposta da empresa de congelamento nos salários e a decisão de suspender as negociações, devido à paralisação. Um novo encontro está agendado para esta terça (21), a partir das 13h.

A mobilização começou nas primeiras horas do dia. No inicio da manhã os trabalhadores se uniram em piquete em frente à sede da EBC, seguido por um café da manhã coletivo. Logo após, realizaram um debate sobre comunicação, racismo e liberdade religiosa. Para o período da tarde, está previsto um sarau de música e poesia, e um apitaço contra a negligência dos patrões.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, a paralisação conta com cerca de 70% dos trabalhadores do quadro efetivo. “Setores importantes, como as redações da TV Brasil, da Rádio Nacional e da Agência Brasil, por exemplo, aderiram à greve massivamente”, destaca Gésio Passos, coordenador-geral do SJPDF.

Em relação às negociações, o sindicato informa que os empregados têm encontrado grande resistência da EBC desde a apresentação da pauta inicial de reivindicações. As conversas só iniciaram um mês após a entrega. Além disso, os patrões têm demonstrado total indisposição em apresentar propostas que atendam à categoria.

Assédio

No encontro de sexta, os trabalhadores repudiaram também assédio da empresa por conta da paralisação e aprovaram um pedido de exoneração ao diretor de jornalismo da EBC, Lourival Macedo. Vários editores que ganham gratificações foram notificados que, caso não retornassem aos postos de trabalho, perderiam a remuneração.

Na última mesa de negociação, o representante da EBC informou que desconhece a informação e que a “concessão ou retira de qualquer gratificação não está vinculada em nenhuma hipótese ao exercício do empregado do seu direito constitucional de aderir à greve”.

Entenda o que está em jogo

A data-base dos jornalistas e radialistas é 1º de novembro. Os trabalhadores reivindicam 4% de reajuste para repor a inflação do período e perdas acumuladas. Porém, após oito rodadas de negociação, a direção da EBC não aceita reajustar nenhuma das cláusulas econômicas e insiste em manter a proposta de reajuste zero. Além dos salários, benefícios como ajuda-alimentação, auxílio às pessoas com deficiência e outros ficariam sem aumento.

Fonte: CUT Brasília com informações do SJPDF

O que o mundo mais precisa, a tradição africana ensina: ubuntu é o jeito de viver e conceber as relações humanas que pensa a comunidade em seu sentido mais pleno, como uma grande família. E é nesse espírito de coletividade, no qual se vivenciam os princípios de partilha, do cuidado mútuo e da solidariedade, que a África dá mais uma lição e nos ensina sobre a cosmovisão do mundo negro-africano.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) se inspirou nesse tema para desenvolver a campanha do Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro. Acesse o cartaz e o jornal mural temático, que serão distribuídos para escolas de todo país.

Para a CNTE, é importante reforçar a ideia de que somos uma teia de relacionamentos, que proporciona ao indivíduo reconhecer-se no outro, a partir da mudança de olhar do “eu” para o “nós”. “A educação deve partir, sempre, da coletividade. E o racismo será vencido porque nós estamos no coletivo fazendo este trabalho, CNTE, movimento negro, escola e sociedade”, destaca Iêda Leal, secretária de Combate ao Racismo da CNTE.

Reinterpretado ao longo da história, o ubuntu é ainda mais atual, ao inspirar a luta por uma sociedade democrática, igualitária e com amplo acesso às oportunidades para a vida com dignidade. Juntos, seremos mais fortes para o enfrentamento dos desafios e a superação das inúmeras formas de discriminação e desigualdade.

Fonte: CNTE

ESPECIAL SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Toda semana, pelo menos 30 pessoas procuram Iara Francisca da Silva ou uma de suas sócias para trançar os cabelos ou fazer outro tipo de penteado que valorize a estética negra. “A maioria mulheres”, explica a brasiliense que, há 20 anos, trabalha no ramo, em um salão de beleza étnico localizado no Conic, no centro do Distrito Federal.

Iara conta que a ideia de se especializar em penteados afro surgiu fluidamente, já que, desde criança, tranças, black powers ou cachos poderosos eram feitos dentro de casa. “Eu juntava ali com minhas irmãs, primas e tias, e a gente mesmo trançava o cabelo uma da outra, arrumava do jeito que queria. Naquela época não tinha salão pra isso, era uma dificuldade arrumar cabelo.”

Enquanto trança a cabeleira de quem visita seu salão, Iara coloca “amor e dedicação” no penteado. Mas há outros ingredientes nessa receita. Quem senta na cadeira do salão de Iara integra a resistência à cultura imposta e constrói uma imagem negra que se contrapõe à representação dominante nas sociedades ocidentais.

Iara Francisca da Silva, cabeleireira

“A autoestima de negros e negras é frequentemente atacada com a reprodução de estereótipos depreciativos por parte da grande mídia. Acredito que ao valorizar a estética negra, desde o cabelo afro até às manifestações artísticas negras, seja uma forma de trabalhar a autoestima dos negros e negras e, consequentemente, uma ferramenta de empoderamento do povo negro”, afirma a mestre em Sociologia, Vanessa Patrícia Machado Silva.

Mas o processo para que a negra e o negro se empoderem através da estética, na maioria das vezes, é complicado e dolorido.

“Eu passei toda a minha infância e adolescência achando que uma pessoa negra não poderia ser bonita. Sempre fui uma das poucas crianças negras da escola, mesmo em uma cidade, no interior de Minas, que tem uma população negra bastante grande. Sempre achava que minhas coleguinhas brancas eram sinônimos de beleza. E sempre que me interessava por algum colega, sabia que ele não era pra mim”, conta a dirigente do Sindicato dos Jornalistas do DF e feminista negra, Leonor Costa.

A mineira de Paracatu conta que só após os 20 anos se reconheceu como “uma mulher bonita”. “E, além disso, ser uma mulher independente e capaz de atuar de igual pra igual os espaços profissionais e políticos.” Com 41 anos, Leonor, que esbanja beleza com seu penteado estilo black power, diz que o processo de libertação e reconhecimento ganhou corpo após a militância e a leitura. “Percebi que havia algo errado nos meus sentimentos e foi quando comecei a me dar conta que aquilo era fruto do racismo histórico ao qual somos submetidos. Deixar o cabelo ficar natural foi um processo importantíssimo pra mim. A gente pensa que é só uma opção estética, mas é também um ato político”, afirma.

Joanna Alves, que é 15 anos mais jovem que Leonor, também é vítima da cultura eurocentrista. Somente de oito anos para cá, Joanna, de 26 anos, expôs com orgulho seu cabelo natural. “Surgiu uma nova mulher. É muito mais que um cabelo. Hoje sou empoderada”, diz com alívio. Filha de pai negro e mãe branca, a jornalista sindical diz que “não se reconhecer na mãe foi a primeira dificuldade da vida”. Mas os desafios continuam. “Depois que eu assumi quem eu sou, o racismo ficou ainda mais flagrante. Associam meu cabelo black power à sujeira, à falta de higiene. Dão risada no meio da rua”, conta sem se abalar, já que, como se autoentitula, hoje é “empoderada”.

O verbo empoderar – que dá principalmente às minorias sociais a possibilidade de enxergar em si o que há de melhor e lutar por seus direitos – não foi adotado como adjetivo apenas por Joannna. Para a socióloga Vanessa Machado Silva, “ao usar o cabelo crespo, uma mulher negra está se recusando a aderir a um padrão de beleza branco, e consequentemente está se posicionando de modo autônomo politicamente”. Ela ainda afirma que a valorização da estética negra atinge outras esferas. “Coletivos e grupos negros ao organizarem certos tipos de eventos com estética afro, estão, ao mesmo tempo, posicionando-se politicamente contra a violência policial, contra a marginalidade social.”

Joanna Alves, jornalista (à direita)

Para Thyago Negrete, coordenador comercial de uma escola de línguas, não há valorização da estética negra sem que haja o conhecimento da cultura negra como um todo. Aos 36 anos, ele, que também é modelo de uma agência especializada em beleza negra, diz que o sistema político-social “rouba do negro a autoestima”, uma vez que os meios de comunicação apresentam como referência de “poder, sucesso e beleza” majoritariamente pessoas brancas.

“Fui uma criança nos anos 80, e o racismo era muito maior que hoje em dia. Os programas infantis eram todos com brancos, as pessoas importantes desses programas eram brancas, todos os super-heróis eram brancos”, diz. Para ele, embora a valorização do negro – e do ser humano como um todo – fosse ensinada dentro de casa, foi necessário um processo de “desconstrução da cultura”, o que aconteceu por volta dos seus 20 anos. “Fui atrás dos líderes negros da música, da capoeira, da história que não é contada na escola. Tudo isso é que trouxe a essência da beleza negra como um todo. Quando se consegue entender a sua origem, a sua beleza interna, fica mais fácil aceitar a cor da sua pele, o seu cabelo crespo.”

Thyago Negrete, coordenador comercial

Valorização x mercantilização

Atualmente é comum encontrar em centros comerciais artigos relacionados à estética negra, como turbantes, roupas com estampa africana ou colares e brincos robustos. Tais artigos – que também são símbolos de resistência – são vendidos desvinculadamente da dura realidade que assola as pessoas negras, por empresas que têm como donas pessoas brancas.

Para a mestre em Sociologia, Vanessa Patrícia Machado Silva, “em uma sociedade capitalista como a que vivemos, fatalmente a tendência é que as coisas se tornem um produto de mercado”. “Acredito que é possível usar isso a nosso favor de certo modo, quando nós negros compramos dos pequenos empreendedores negros, fortalecemos o modo de produção dos nossos e fazemos com que nossos recursos circulem entre o nosso próprio povo”, soluciona. Mas alerta quanto à utilização desses artigos por grandes marcas: “Acho problemático quando há apropriação cultural, no sentido de que essas grandes corporações lucram e não há nenhum retorno às pessoas negras”.

Em 2016, o famoso baile de gala e fantasia da Vogue Brasil, um pré-carnaval recheado de pessoas ricas e famosas – e brancas –, gerou polêmica ao eleger como tema “Pop África”. Integrantes do movimento negro dispararam críticas à iniciativa, denunciando a utilização da cultura africana, que sofre com a segregação, o racismo, a opressão social, como simples adereço. Para a blogueira Rafaela Venturim, do Sigamos Juntas, “a África, o continente africano, não é um elemento pop a ser vendido, comercializado ou explorado dessa maneira”. Já a ativista feminista negra Stephanie Ribeiro questionou em publicação no Huffpost Brasil: “Vimos os convidados fazendo do cabelo crespo um acessório, um fetiche ocasional. Anos de imposições estéticas baseadas no cabelo liso como padrão desejado, capas de revistas com celebridades, atrizes, cantoras, modelos e seus cabelos lisos. Séries, novelas, filmes e bonecas exaltando seus cabelos lisos, e crianças negras crescendo acreditando que nosso cabelo é um grande problema. Então uma mulher branca faz dele um adereço como se fosse um colar, para um evento?”.

Pelo twitter, em 2015, o poeta negro B. Easy publicou: “A cultura negra é popular, pessoas negras não são”. A frase explica o atual cenário. Não é difícil ver os símbolos estéticos da cultura negra sendo apropriados pelo mercado comandado por brancos, que enriquecem sem nada contribuírem para a construção de uma sociedade que apresente equidade racial. Enquanto brancos ricos ficam ainda mais ricos, as pessoas negras continuam liderando negativamente pesquisas sobre escolaridade, violência e mercado de trabalho.

O Atlas da Violência 2017 revela que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), no Brasil, um homem negro tem 12 vezes mais chances de ser vítima de homicídio que um homem branco. Aqui no nosso país, jovens negras e negros são as principais vítimas da violência e de assassinatos: 23 mil morrem por ano. Isso sem falar nos salários defasados em comparação ao do branco, na desvantagem no mercado de trabalho e na oportunidade reduzida de garantir alta escolaridade.

Mesmo com os dados bárbaros, negros e negras negam a imposição do embranquecimento e exibem com orgulho tranças, black powers, estampas africanas e outros símbolos estéticos que reforçam sua identidade étnica. Elas e eles resistem, assim como resistiu Zumbi dos Palmares. E, nessa resistência, pouco a pouco, um outro Brasil, racialmente equânime e socialmente mais justo, se constrói.

Fonte: CUT Brasília, por Vanessa Galassi

 

 

O governo golpista dá o primeiro passo para privatizar a Caixa Econômica Federal: transformá-la em uma sociedade anônima. Mantendo a política de desmonte do Estado, o usurpador Michel Temer segue a cartilha neoliberal que ameaça a soberania nacional brasileira.

Muito além de entregar um banco 100% público, colocar a Caixa sob a égide da Comissão de Valores Mobiliários, subordinando-a à política do mercado financeiro, coloca em risco programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. O alerta é feito pelo presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jairo Pedro Ferreira.

“A Caixa possui 15 órgãos de regulação e não está subordinada à CVM. Então dizer que o objetivo de transformá-la em S/A para adotar “regras modernas de governança” é uma falácia. Como ela é 100% pública não precisa ficar subordinada ao mercado para tomar decisões. Em um país com altíssimas taxas de juros, a Caixa faz o contraponto. Outro papel importante dos bancos públicos nas crises é fazer o movimento anticíclico, por exemplo”, explicou Jairo, durante conversa no Barão de Itararé.

De acordo com ele, a Caixa é a líder absoluta na concessão de crédito habitacional, com 70% dos financiamentos feitos no país. Ele cita que, apenas no Minha Casa Minha Vida, são R$ 41 bilhões pagos, quando foram construídas mais de 2,6 milhões de casas. O Bolsa Família e o FIES também são pagos pela Caixa.

“Ao mudar a condição da Caixa para S/A a sociedade vai perder esse instrumento do banco público que passará a ser pautado pela rentabilidade. Com isso, a concentração financeira aumenta junto com a desigualdade, que é um dos grandes problemas do país. Que banco privado vai querer financiar por 30 anos uma comunidade carente? Que banco privado vai querer financiar um estudante com o FIES? O limite deles para retorno financeiro é de cinco anos”, explicou Jairo.

Ele também cita a loteria que, só em 2016, a Caixa arrecadou R$ 12,8 bilhões. Desse montante, R$ 4,8 bilhões são destinados para programas sociais e o Fundo de Educação.

Articulação
A Fenae, junto a outros movimentos sociais, como os de moradia, deu início a uma mobilização em todo o país para alertar as pessoas sobre o risco de privatizar a Caixa. A Federação também busca, junto aos senadores e deputados, apoio para divulgação dos desmontes promovidos por Temer e, agora, dialoga com a Frente Mista em Defesa da Soberania Nacional para incluir o caso na pauta.

“A ideia é agregar todos os desmontes na Frente Mista em Defesa da Soberania Nacional. Estamos trabalhando muito com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) para aglutinarmos os movimentos. A sociedade precisa reagir a isso”.

Fonte: Agência PT de Notícias

A partir do próximo dia 25, durante os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) distribuirá nas escolas de todo o país a cartilha “Saber Amar é Saber Respeitar”, que combate a violência no ambiente escolar.

O material faz parte da campanha homônima, lançada pela Confederação no último dia 14, durante o Encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação, em Belo Horizonte. “Saber amar é saber respeitar é a campanha da CNTE para a prevenção de todos os tipos de violência que ocorrem nas escolas. O objetivo é trabalhar simultaneamente a problemática de gênero, da diversidade sexual, das relações étnico-raciais, dentre outras questões que possam ser objeto de preconceito, exclusão ou abuso”, diz introdução do site da campanha.

De acordo com a secretária da CNTE, Isis Tavares, “o personagem da campanha de nome Gentil pretende dialogar com as crianças e adolescentes do ensino fundamental ao médio, com uma linguagem fácil e leve para passar a mensagem da cultura de paz para vencer a violência”.

Fonte: CUT Brasília, com CNTE