Debates sobre diversidade sexual e de gênero devem transcender o mês de junho

Nem mesmo a pandemia da Covid-19 e o isolamento social necessário para impedir a propagação do vírus foram capazes de calar a voz da população LGBTI. Durante todo o mês de junho, diversas ações foram realizadas, e, nesse domingo (28), data em que comemoram-se o Dia Mundial do orgulho LGBTI, o grupo reinventou a forma de reivindicar respeito à diversidade sexual e de gênero, e realizou atos virtuais.

A data trouxe à tona também uma reflexão sobre a necessidade de os debates sobre o tema se tornarem permanentes. O Dia do Orgulho LGBTI é celebrado mundialmente e lembra um episódio ocorrido em Nova Iorque, há 51 anos, quando pessoas LGBTI se mobilizaram e enfrentaram a repreensão da polícia nova-iorquina.

Durante todo o domingo, mais de 30 associações e entidades se uniram para o Festival de Cultura e Parada Online do Orgulho LGBTI Brasil. A ação contou apresentações artísticas, depoimentos de figuras diversas, inclusive, do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso.

Buscando manter o diálogo em tempos de pandemia, na sexta-feira (26), o Coletivo LGBTI da CUT-DF em parceria com o Sindicato dos Professores do DF e o Sindicato dos Bancários de Brasília também realizaram um encontro que contou com a participação de diversos nomes LGBTIs do DF.

“Foi uma ação não só para dar visibilidade, mas antes de tudo, para dizer que estamos aqui e que não vão nos calar”, disse o professor da Rede Privada de Ensino do DF e integrante do Coletivo LGBT da CUT-DF, João Macedo.

Ataques diversos

 Macedo destacou que, desde o golpe de Estado de 2016, a população LGBTI teve inúmeros direitos suprimidos, inclusive, o Conselho Nacional LGBTI, extinto pelo governo Bolsonaro. “Era um Conselho deliberativo que nos dava muita substância para produzir políticas públicas”, afirmou o professor.

Entretanto, nesse domingo (28), durante ato virtual, ocorreu o lançamento do Conselho Nacional Popular LGBTI, que conta com a participação da CUT e de diversas entidades. O Conselho tem como objetivo construir um projeto popular democrático para fomentar a implementação de políticas públicas e sociais voltadas ao grupo.

“Nunca tivemos tantos ataques, de formas mais diversas, à população LGBTI. Todos os nossos direitos e toda a nossa cidadania têm sido diariamente roubados. A nossa própria humanidade tem sido tirada de nós. É importante ressaltar que não somos minorias. Somos uma população minorizada por esse desgoverno”, disse Macedo.

Canais de diálogos

Na avaliação de Macedo, além das ações já realizadas, é fundamental criar estratégias de enfrentamento em todos os espaços. “Não basta só falarmos de LGBTfobia, de assassinato da população, de retiradas de direitos no mês do orgulho. Assim como o preconceito é estruturado, a nossa luta também deve ser melhor estruturada”, destacou.

Nesse sentido, Macedo ressaltou a necessidade de criar canais de diálogos em todos os espaços, inclusive, nos sindicatos. “Devemos defender, sim, a vida, mas também devemos defender o emprego, a renda e criar espaços de diálogos em todas as entidades sindicais para avançarmos na discussão. Só vai haver um momento melhor para LGBTIs, quando os nossos corpos não causarem estranhamento ao ocuparmos espaços”, finalizou.

Fonte: CUT-DF

Deixe um comentário:

Digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome