Sem amparo do governo, cenário pós-pandemia para juventude pode ser devastador

A maior crise sanitária dos últimos tempos tem afetado drasticamente a vida dos trabalhadores de diversas formas. A juventude é um dos segmentos da sociedade que mais tem sofrido com os desdobramentos sociais e econômicos da crise. E, se não houver um olhar atento do governo para esse grupo, os prejuízos podem ser ainda mais devastadores a longo prazo.

É o que aponta um estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que analisou o impacto da pandemia no mundo do trabalho. Segundo a análise, um em cada seis jovens perdeu o emprego desde o início da pandemia da Covid-19. Já para os que conseguirem manter o emprego, a jornada de trabalho foi reduzida em 23%, o que causou impacto direto na renda mensal.

Isso porque a maioria dos jovens estavam empregados nos setores mais afetados pela crise, como a indústria comercial, turística, hoteleira e alimentar, por exemplo. O estudo aponta ainda que o impacto é maior quando se trata da formação desse grupo. Muitos programas educacionais e de formação foram interrompidos e estão sem previsão de retorno.

Vale lembrar que, historicamente, os jovens sempre tiveram mais dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Para se ter uma ideia, em 2019, a taxa de desemprego juvenil girava em torno de 13,6%, maior do que a de qualquer outro grupo.  Já entre aqueles que conseguiam ingressar, três em cada quatro eram inseridos no mercado informal, com pouca ou nenhuma proteção social, e em situações bastante precárias. Além disso, em tempos de crises, os jovens são os primeiros a sofrerem com reduções salariais ou com demissões.

Geração devastada

Com base nos dados divulgados pela OIT, o economista da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Stefano Scarpetta, analisou que há o risco de se criar uma “geração perdida”, com efeitos devastadores a longo prazo. Para reverter a situação, alerta Scarpetta, apenas intervenções positivas dos governos voltadas para juventude.

“Para jovens, e vimos isso em crises passadas, choques como este (provocado pela pandemia) são particularmente danosos. Primeiro, porque os que já estão no mercado podem estar mais expostos a empregos precários, temporários”, explica Scarpetta.

Na avaliação da secretária da Juventude da CUT-DF, Yslene Rayanne, para que haja ações voltadas para a juventude, é necessário que, antes, “se tenha um governo preocupado com o povo brasileiro”.

“Com o sucateamento das políticas públicas voltadas para a juventude, o cenário para a população jovem no Brasil está bastante complicado. Com a pandemia, temos elevadas taxas de desemprego e muitos jovens estão com dificuldades para estudar. Paralelo a isso, temos um governo que não se preocupa com a juventude e, por meio de projetos retrógrados, precariza ainda mais o mercado de trabalho para esse grupo. O governo Bolsonaro está colocando em risco nossas vidas e o nosso futuro”, disse.

Outras áreas

Para além no mercado de trabalho, a pandemia tem afetados os jovens em diversas outras áreas. Um estudo coordenado pelo Conselho Nacional de Juventude em parceria com outras entidades entrevistou jovens entre 15 e 29 anos de todo o país e apontou que o contexto é de incertezas.

Dos entrevistados, 33% viu a sua renda pessoal diminuir devido à pandemia. Diante disso, muitos recorreram a outras formas para complementar a renda ou ao Auxílio Emergencial do governo federal. Porém 17% ainda aguardam a aprovação do governo para receber o benefício.

A pandemia afetou também o lado emocional dos jovens. A pesquisa mostra que, dos entrevistados, apenas 27% se mostram otimistas em relação ao futuro. Além disso, o estresse gerado pelo isolamento desencadeou uma série de frustrações que tem afetado o desempenho daqueles que têm aulas remotas. Com tamanho desapontamento, 30% pensam em abandonar os estudos quando a pandemia passar. A qualidade do sono, relacionamentos e outras áreas também foram afetadas.

Veja o estudo completo aqui. 

Fonte: CUT-DF

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