Dirigente cutista é agredida por apoiador de Bolsonaro durante ato

Tornaram-se comuns as agressões verbais e físicas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro contra pessoas que repudiam o governo. Nesta quarta-feira 27, durante ato dos trabalhadores de comércio e serviço na Praça dos Três Poderes, a secretária-geral do Sindicato dos Comerciários do DF, Geralda Godinho, levou um soco de um bolsonarista que, sem máscara, gritou e provocou outros manifestantes.

“A sorte é que, na hora, eu consegui tirar o rosto e o soco pegou na minha mão e no meu celular”, conta Geralda Godinho. Ela ainda afirma que, além do homem que a agrediu, um outro apoiador de Bolsonaro, portando um porrete, chegou a cercar os trabalhadores.

Segundo Geralda, a realização do ato dos trabalhadores foi abreviada por receio de outros ataques de apoiadores de Bolsonaro. “Observamos que a turma do acampamento 300 do Brasil estava descendo. Tratamos de não demorar muito, pois ficamos com medo. Eles estão com muita ira”, disse.

O ato dos trabalhadores de comércio e serviços reuniu poucas pessoas para não gerar aglomeração, evitando a proliferação da Covid-19. De máscaras e com faixas nas mãos, os manifestantes denunciaram o descaso do governo com a morte de mais de 24.600 pessoas que contraíram o vírus, além dos ataques contra a classe trabalhadora em plena pandemia.

“Bolsonaro é responsável pelo número crescente de mortes. O governo faz disputa política com o isolamento social, colocando a população em risco. Além disso, ainda há a ausência de política concreta que impeça o número de desempregos e, ao mesmo tempo, agrava a demora do pagamento do auxílio emergencial para os que mais necessitam”, afirma o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, que participou do ato dos trabalhadores de comércio e serviços.

Demissão em massa

De acordo com a secretária-geral do Sindicato dos Comerciários do DF, Geralda Godinho, o numero de demissões de trabalhadores da categoria diante à pandemia do novo coronavírus é “assustador”. “Só de demissão homologada no Sindicato, foram mais de 600 em março e cerca de 1 mil em abril. Teve gente de 25, 30 anos de trabalho que foi demitida. Acreditamos que em maio esse número será ainda maior”, diz.

Segundo ela, além das demissões e dos ataques aos direitos dos trabalhadores pelo governo federal, uma grande preocupação do Sindicato é quanto à ausência de fiscalização dos equipamentos de proteção individual. “Muitas empresas não estão dando para os trabalhadores e nem para o consumidor álcool gel, máscara, nada”, denuncia.

O tema foi apresentado ao governador do DF, Ibaneis Rocha, em reunião na segunda-feira 25, onde os representantes da categoria ainda exigiram que seja disponibilizado teste da Covid-19 e a vacina contra a H1N1 para os comerciários que estão trabalhando.

De acordo com Geralda, Ibaneis sugeriu que o Sindicato mantenha diálogo com a Casa Civil do DF, criando uma espécie de “disque denúncia” dos casos de omissão de entrega de EPIs para trabalhadores do setor.

Fonte: CUT-DF | Foto: Thamy Frisseli

Deixe um comentário:

Digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome