Discurso de Bolsonaro traz mais riscos do que se pode imaginar

Sem máscara, em rede nacional, Jair Bolsonaro falou pouco mais de 5 minutos nessa terça-feira 24 sobre a pandemia de coronavírus. O discurso perturbado minimizou os problemas causados pelo vírus – que já matou mais de 18 mil pessoas em todo mundo – e incentivou o genocídio (morte de um povo) ao recriminar a única ação capaz de diminuir o alastramento da doença: o isolamento das pessoas em seus lares. Entretanto, a fala do chefe do governo é estratégica e traz outros prejuízos irreparáveis.

Para o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, por trás da ação nefasta de Bolsonaro está a tentativa de polarizar novamente a sociedade e ganhar força para implementar a parte mais obscura de seu projeto político. “Não podemos minimizar a fala de Bolsonaro. Não se trata de um discurso vazio, sem planejamento e sem rumo. Não se trata apenas de uma posição perturbada. Bolsonaro quer dividir novamente o povo brasileiro, que vem se unindo diante das consequências da política bolsonarista. A intenção de Bolsonaro é ganhar força, fidelizar seus apoiadores e ter caminho livre para aprofundar uma agenda de desemprego, de redução de salário, de corte em políticas sociais, de retirada de direitos trabalhistas, de extinção dos sindicatos. É a mesma estratégia da campanha eleitoral: desconsiderar a verdade, manipular a população e garantir o avanço de seu projeto”, analisa.

Para o dirigente sindical, o discurso de Bolsonaro é ainda mais grave em um cenário onde o desemprego é crescente e pequenos empresários se vêem engolidos pela crise econômica. “A população acaba pensando: o jeito é voltar a trabalhar para não ficar sem emprego. Os pequenos empresários pensam: quem de nós vai aguentar mais que dois meses. A verdade é que o povo está carente de Estado. Nosso papel agora é lembrar ao povo que o Estado deve assegurar condições de vida para todos e todas, sendo protagonista como foi na crise de 2008, e não mero intermdiador, como vem sendo agora, deixando o povo à própria sorte”.

Reação

Logo após o pronunciamento de Bolsonaro, uma enxurrada de críticas foi feita por veículos de comunicação da mídia tradicional e independente, políticos, colunistas, representantes de movimentos sociais, partidos políticos, governadores, centrais sindicais.

“Não foi apenas mais uma demonstração de ignorância, má fé e cinismo de um presidente que só pensa em si, no seu poder e de sua família. Foi um gesto de total desprezo pela vida das pessoas, pelos seres humanos, pela população que ele tem obrigação de proteger diante da mais grave crise sanitária que o mundo moderno já enfrentou. Uma incitação ao genocídio”, disse o Partido dos Trabalhadores em nota.

Para a UNE, UBES e ANPG, que representam estudantes do nível básico ao nível superior, a fala de Bolsonaro “representa um enorme risco e um crime contra a vida da população brasileira, tanto dos mais novos quanto dos idosos”. Contra o discurso de Bolsonaro, as organizações alertam sobre a necessidade de estudantes se manterem em casa.

Secretários de saúde do Nordeste também se manifestaram contra a fala do presidente. “Assistimos estarrecidos ao pronunciamento em cadeia nacional do presidente Jair Bolsonaro, onde desfaz todo o esforço e nega todas as recomendações para combate à epidemia do coronavírus”, dizem em carta conjunta.

Relatório sigiloso da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) ao qual o site Intercept teve acesso, mostra que o covid-19, doença gerada pelo coronavírus, pode causar a morte de mais de 5,5 mil pessoas no Brasil, até dia 6 de abril. Segundo o Intercept, o relatório a data do relatório é da última segunda-feira (23), e foi enviado a Bolsonaro.

Fonte: CUT-DF

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