Panelaços contra Bolsonaro bombam em centenas de cidades no 2º dia de protesto

Pelo segundo dia consecutivo, panelas ecoaram nas janelas do país contra a paralisia e o enorme descaso do governo Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que já provocou a morte de 4 brasileiros e contaminou mais de 428 pessoas. Outros mais de 11 mil casos estão sob suspeita.

Numa tentativa desesperada de responder à revolta popular, Bolsonaro não se constrangeu e, durante a coletiva de imprensa no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (18), convocada para dar uma resposta ao povo sobre o que o governo vai fazer para enfrentar a pandemia, e convocou uma espécie de contra panelaço a favor do seu governo. Foi um fracasso. Os contrários a paralisia do governo reagiram com mais força.

Os primeiros registros do panelaço contra Bolsoanro foram registrados durante e após o pronunciamento do presidente sobre a pandemia, por volta das 19h30. No primeiro discurso, Bolsonaro foi muito criticado nas redes sociais e até pelo Jornal Nacional porque ele e seus ministros deram um péssimo exemplo aos brasileiros de como não usar uma máscara. Tocavam nas máscaras, tiravam e colocavam sem higienizar as mãos antes. E apesar de falarem nas medidas preventivas o tempo todo, colocaram apenas um microfone para todos os repórteres fazerem perguntas.

E o panelaço ficava mais forte a cada fala sem convicção, sem nexo de Bolsonaro. Em bairros do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Belém do Pará, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Natal, Florianópolis, Recife, Fortaleza e Brasília foram registrados fortes e longos panelaços, uma repetição dos protestos ocorridos no dia anterior.

No primeiro panelaço, na terça-feira (17), as manifestações ocorreram depois de o presidente falar em “histeria” em relação ao novo coronavírus e de dizer que ações de governadores sobre isolamento prejudicavam a economia.

Nesta quarta, Bolsonaro mudou o tom e fez dois pronunciamentos para falar de medidas econômicas, judiciais e estruturais para enfrentar o coronavirus. Indagado pelos jornalistas sobre o panelaço do dia anterior, ele classificou como “manifestação da democracia”. Mas não adiantou, o panelaço foi ainda maior que no dia anterior.

Panelaços ocorreram também nas periferias de SP

Segundo a Agência Mural de Jornalismo, que faz cobertura jornalística nas periferias de São Paulo, houve registros de panelaços nos bairros mais afastados da cidade.

Em Paraisópolis, teve gritos de “Fora, Bolsoanro” e Lula Livre, de acordo com agência.

E ao lado, no enorme condomínio Vertentes do Morumbi, onde vivem os que têm alto poder aquisitivo, também teve ‘fora, Bolsonaro’ e as panelas voltaram às varandas gourmets.

Buzinaços, panelas e gritos também ecoaram às 20h contra o governo Bolsonaro em Artur Alvim, Penha e Cohab José Bonifácio, na zona leste, Paraisópolis, Vila Guarani, Jabaquara, Parque das Árvores e Guarapiranga, na zona sul.

VEJA AS MANIFESTAÇÕES CONTRA BOLSONARO
SÃO PAULO

– Bairro de Perdizes

– Avenida Paulista

_ Bairro da Vila Romana

RIO DE JANEIRO

– Flamengo

BRASÍLIA

SALVADOR

FORTALEZA

CURITIBA

PORTO ALEGRE

BELÉM

Nas redes

Durante todo o dia desta quarta-feira, 18, as hashtags #ForaBolsonaro, #Panelaço18M e #VozesNaJanela foram os assuntos mais comentados do Twitter. Os internautas, em sua grande maioria, criticavam a maneira pela qual o presidente tem tratado a pandemia do novo coronavírus no país que já tem 3 mortos e 350 casos confirmados.

Além de bater panela, as pessoas gritavam nas janelas “fora, Bolsonaro” nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Distrito Federal.

A mobilização nas redes sociais foi convocada pela CUT, demais centrais sindicais, Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e movimentos sociais, mas a população antecipou o movimento de revolta contra o governo Bolsonaro que negligenciou o tamanho da pandemia do coronavírus no país.

Pelo Twitter, a presidenta do PT Gleisi Hoffmann, afirmou que hoje é dia de lutar pela saúde, educação e serviços públicos. “Como não podemos ocupar as ruas, ocupemos as nossas janelas prestando nossa solidariedade e indignação com o desmonte de Bolsonaro e seu governo”.

Já Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), convocou em suas redes o panelaço contra Bolsonora e em defesa do SUS.

As ações nas redes sociais foram convocadas após o cancelamento das manifestações de rua por conta do novo coronavírus. Além do #panelaço18m ser contra Bolsonaro, o movimento será em defesa da educação, saúde, direitos e democracia.

Fonte: Walber Pinto, da CUT Nacional

 

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