ARTIGO | Dia 18 de março!

Por Rodrigo Rodrigues*

18 de março é o Dia Nacional de Mobilização, Lutas e Greve em Defesa dos Serviços Públicos, dos Servidores, das Empresas Públicas, Contra a Privatização, por Direitos, por Emprego e por Democracia.

Esse dia, que nasceu durante o Congresso Nacional da CUT, foi construído em uma Plenária Nacional com sindicatos de diversos setores do serviço público e, hoje, chega com uma pauta muito mais ampla em uma conjuntura completamente diferente daquela na qual ele foi debatido. Inicialmente, esse 18 de março tinha como foco a preocupação com os ataques diretos ao desmonte do serviço público, com a venda das nossas empresas, com os direitos e empregos de quem trabalha no serviço público e nessas empresas.

No entanto, ao longo do caminho, fomos somando forças com outras categorias que também se tornaram alvos desse governo e com diversos outros setores que são contrários aos ataques proferidos por Bolsonaro contra a democracia e contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário, cometendo assim crime de responsabilidade ao incitar o fechamento desses instrumentos democráticos.

A democracia vem sendo atacada desde que se elaborou e colocou em curso um golpe neste país. Um golpe que teve início com a destituição de Dilma Rousseff da Presidência da República, sem crime de responsabilidade. Esse golpe sobre a nossa democracia abre caminho para uma série de retiradas de direitos dos trabalhadores, como a reforma trabalhista, a reforma da Previdência e uma mudança do viés do estado brasileiro em que a prioridade  não é atender a população, não é oferecer serviços de saúde e educação, mas sim pagar juros de especulação financeira a partir dos títulos de dívidas públicas.

O Brasil cai na mão dos financistas, dos especuladores, daqueles que querem privatizar todos os serviços oferecidos pelo Estado; daqueles  que não querem uma seguridade social ao trabalhador; daqueles que querem que todos os serviços prestados sejam geridos pela iniciativa privada, assim como daqueles que não querem bancos públicos regulando  a economia e impedindo que a especulação seja livre e desenfreada. A eleição de Bolsonaro passa por estes intuitos de transformação de Brasil e namora com um autoritarismo perigoso e uma subserviência aos Estados Unidos.

Agora, neste dia 18, somado a todo esse cenário econômico e político, ainda temos uma pandemia que se alastra pelo mundo e começa a fazer suas vítimas no Brasil. Estamos enfrentando uma grande ameaça de saúde pública sem termos um adequado serviço público de atendimento à saúde, sem  garantias de segurança social aos trabalhadores para que se afastem, pois temos uma enorme quantidade de trabalhadores informais sem nenhum tipo de segurança social e que, se adoecerem ou se coloquem em quarentena, não terão ganhos e nem meios de se sustentarem.

Na contramão de fortalecer o serviço público, o governo quer aprovar uma reforma administrativa para retirar ainda mais direitos dos servidores e para oferecer menos serviço público, vangloriando-se de que é a iniciativa privada que vai resolver a crise da pandemia que ameaça o Brasil e o mundo.

Vimos nesse dia 18 com toda essa gama de acontecimentos nefastos a importância de termos um SUS forte, universal e com estrutura capaz de atender à população e todos aqueles que necessitam de saúde. Saúde não pode ser mercadoria, não pode estar na mão de quem cobra, não pode estar na mão de quem busca lucro. Educação não pode ser mercadoria, não pode estar nas mãos de quem busca vender como uma commodities.

Nossas empresas devem ser responsáveis por gerar riqueza capaz de financiar as políticas públicas do nosso Estado e o Estado deve ser o responsável por fazer com que essa riqueza trabalhe para a população mais necessitada e combata a desigualdade. Esse dia 18 é um dia de mobilização nesse sentido, fortalecido pela unidade de um país em torno do combate de uma doença que se alastra; contra o obscurantismo que se instaurou no poder; contra o deboche às organizações da sociedade civil e contra a criminalização das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras por seus direitos.

Este dia 18 deve ficar marcado na história de lutas da classe trabalhadora brasileira como um dia que faremos a virada rumo à redemocratização do país, rumo à retomada do seu crescimento, à geração de empregos dignos e com Estado e serviços públicos que atendam as necessidades reais da população.

Rodrigo Rodrigues é professor da rede pública de ensino do DF e presidente da CUT-DF

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