ARTIGO | 28 de fevereiro: Dia Internacional de Conscientização sobre as LER/DORT

Por Selene Siman*

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), conforme denominação dada pela Previdência Social, são consideradas questões de saúde pública mundial devido ao grande número de trabalhadoras e trabalhadores acometidos pela doença que consequentemente são afastados do trabalho.

No Brasil, dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) de 2017 indicam que 22.029 profissionais foram afastados do trabalho por mais de 15 dias em função de algum tipo de doença relacionada à LER/DORT, o que representa 11,19% de todos os benefícios concedidos naquele período.

As doenças – comuns, por exemplo, na categoria bancária, setor de serviços e comércio, telemarketing, entre outras – são caracterizadas pelo desgaste de estruturas do sistema musculoesquelético, sendo que alguns fatores de risco favorecem as LER/DORT tais como execução de movimentos repetitivos; ritmo de trabalho intenso, sem tempo de ir ao banheiro; móveis, máquinas e equipamentos inadequados; assédio moral, estresse e cobrança de metas; excesso de horas extras.

As doenças mais comuns que se enquadram como LER/DORT, segundo a lista publicada pelo Ministério da Saúde, são: a tendinite (inflamação do tendão), a neurite (inflamação do nervo), a sinovite (inflamação da bainha sinovial), a síndrome do carpo (estreitamento do túnel do carpo, localizado no punho, o que causa a compressão de várias estruturas existentes ao longo do túnel, inclusive do nervo mediano), a bursite (inflamação da bolsa sinovial), a tenossinovite (inflamação do tendão e bainha sinovial), entre outras.

Via de regra, os profissionais adoecidos tentam se esconder e protelam ao máximo a procura de ajuda médica, com receio de serem taxados de preguiçosos, de estarem fazendo corpo mole no trabalho. Porém, quando não mais conseguem suportar a dor, buscam assistência e seu dia a dia passa a ser uma busca constante de “provas” do seu adoecimento. Tentam convencer familiares, as chefias e colegas de trabalho que sentem dores e por essa razão não conseguem mais fazer tarefas que anteriormente eram corriqueiras e fáceis de desempenhar. Tentam provar que não estão inventando a doença nem se tornaram preguiçosos. Tal situação pode, inclusive, agravar a saúde mental do trabalhador e da trabalhadora.

Visando prevenir e combater o problema, desde o ano 2000 a Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu o dia 28 de fevereiro como o Dia Internacional de Conscientização sobre as LER/DORT.

Para se garantir um programa de prevenção de LER/DORT nas empresas, o movimento sindical deve exigir nelas a investigação de indicadores de problemas das doenças nos locais de trabalho, tais como queixas frequentes de dores por parte dos trabalhadores e trabalhadoras, existência de trabalhos que exigem movimentos repetitivos ou aplicação de força, levantamento e transporte de cargas, atividades realizadas em posições inadequadas ao corpo, principalmente braços e mãos e um clima organizacional estressante, com dificuldade de relacionamento entre chefias e funcionários, normas estritas de trabalho, falta de flexibilidade, etc.

Além disso é preciso garantir um sistema efetivo de comunicação, enfatizando a importância da identificação precoce das afecções para evitar o agravamento e a incapacidade para o trabalho.

Também se faz necessário garantir o comprometimento da gerência e direção da empresa com a prevenção e com a participação dos trabalhadores para a solução dos problemas. Para tanto é fundamental a capacitação dos trabalhadores e trabalhadoras, incluindo a gerência/direção, sobre LER/DORT, para que possam avaliar os riscos potenciais dos seus locais de trabalho.

Por outro lado, o movimento sindical tem papel fundamental na orientação dos trabalhadores e trabalhadoras para que conheçam os sintomas decorrente da LER/DORT e os direitos que possuem quando acometidos pela doença.

*Selene Siman é diretora do Sindiserviços e secretária de Saúde da CUT-DF

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