Ato com centrais sindicais indica março como mês de luta em defesa do Brasil

O Ato Político em defesa dos serviços públicos e contra o desmonte do país, nesta quarta-feira (12), mostrou que o mês de março vem para exterminar o verdadeiro parasita do Brasil: o sistema financeiro, representado pelo ministro da Economia Paulo Guedes. A avaliação é da própria atividade, que reuniu mais de 600 trabalhadores de diversos setores no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados.

O dia 8 de março – Dia Internacional das Mulheres e o dia 18 de março – Dia Nacional de Luta (em defesa do serviço público, das estatais, do emprego e salário, da soberania, da Amazônia e da agricultura familiar) foram mencionados em praticamente todas as falas do ato, como determinantes para interromper o desmantelamento dos direitos, das políticas públicas e da soberania nacional.

“Temos no 8 de março um dia muito importante de luta, e devemos promover uma grande mobilização. Isso porque os serviços públicos de saúde, de educação, por exemplo, e tantos outros, passam pelas mãos das mulheres. São elas que vão ao posto de saúde levar seus familiares, são elas que vão às escolas para garantir a matrícula dos seus filhos”, disse a secretária-geral da CUT Nacional, Carmem Foro, que compôs a mesa do ato político que reuniu várias centrais sindicais.

Carmem Foro também reforçou que a luta em defesa dos serviços públicos não deve ser apenas dos servidores públicos. “Eu, por exemplo, sou uma trabalhadora do campo, e estou nessa batalha. Nós todos e todas temos que nos envolver nessa luta, pois dependemos dos serviços públicos”.

Carmem Foro, secretária-geral da CUT Nacional

Na mesma linha, o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, afirmou que o ataque aos serviços públicos vêm no sentido de manter um cenário de desigualdade cruel. “Só mantendo a desigualdade social, interrompendo a promoção de políticas públicas, inviabilizando a distribuição de renda, será possível manter os privilégios dos poucos que o governo Bolsonaro representa. A gente não pode aceitar isso. O caminho é a luta”.

Trazer o povo pra luta

Muitas vezes o convencimento da própria população sobre a essencialidade dos serviços públicos e da importância de se somar a essa luta é árduo. Isso porque o povo é historicamente bombardeado por informações falsas e adjetivos criminosos dados aos serviços e aos servidores públicos, como marajás ou parasitas. “São palavras muitas vezes inalcançáveis à população, como inchaço da máquina”, disse durante o ato político a deputada Jandira Feghali (PCdoB).

Se por um lado os governos neoliberais e fascistas tentam colocar a população contrária aos servidores públicos, CUT, centrais sindicais e sindicatos e organizações populares trabalham para conscientizar o povo sobre a essencialidade desses serviços e o que está por trás da tentativa de desmantelar o funcionalismo.

“A defesa dos serviços públicos tem uma amplitude que nem todos temos clareza, e por isso precisamos debater com toda a sociedade. Os serviços públicos devem promover cidadania para todos os brasileiros ao garantir educação da infância até a universidade; ao garantir o atendimento na saúde pública; ao garantir que em todos os municípios chegue água encanada, energia elétrica, Internet, agência da Caixa, do BB e dos Correios; ao garantir delegacias, defesa jurídica para todos que não podem pagar e acesso gratuito à justiça, tanto no Judiciário quando no Ministério Público”, explica a secretária de Comunicação da CUT-DF, Ana Paula Cusinato, servidora pública do Ministério Público da União.

De acordo com o dirigente da CUT Nacional Ismael José César, a “economia” que o governo quer fazer ao tirar direitos dos servidores públicos tem endereço certo. “O que o governo quer economizar com os servidores públicos, vai colocar nas mãos dos banqueiros, dos agiotas; não será revertido para a população”.

Luta geral

A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do DF (Sintect-DF), Amanda Corcino, lembrou da importância dos Correios públicos para a população. “Ao contrário do que Paulo Guedes diz, os Correios não servem só pra distribuir cartas. Em muitos municípios do Brasil, os Correios são a única instituição pública, viabilizando, por exemplo, a emissão de documentos pessoais. Sem falar no transporte de medicamentos, livros e tantas outras coisas”, afirma.

Segundo ela, “é importante a unificação da luta em defesa dos serviços públicos para afrontar esse governo que quer tirar a responsabilidade do Estado”. “Estamos realizando nesta quarta uma paralisação de 24 horas e temos uma greve indicada para dia 4 de março. Vamos firmes na luta pelos nossos direitos e contra a privatização dos Correios, dizendo em auto em bom som: parasita é esse governo que suga nossos direitos”.

O secretário-geral da Condsef – confederação que representa a maior parte do funcionalismo federal –, Sérgio Ronaldo, avalia que os disparates de Paulo Guedes contra os servidores públicos fez com que a categoria acordasse “para todos os riscos que estão passando com a destruição dos seus direitos e postos de trabalho”.

“Nós realizaremos nesta quinta-feira uma plenária dos servidores públicos da base da Condsef, e a direção já decidiu que o encaminhamento para o dia 18 de março será de um Dia Nacional de Greve no serviço público”, informa.

Trabalhadores petroleiros, na luta contra a privatização da estatal e em greve para impedir a demissão de mais de mil trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Araucária, no Paraná, também participaram do Ato Político na Câmara dos Deputados. “Nós petroleiros também prestamos um serviço público essencial à população e estamos nessa luta. O gás de cozinha, a gasolina, o querosene de aviação e até o asfalto somos nós que produzimos. Isso sem falar dos compostos oriundos da cadeia do petróleo, utilizados na indústria farmacêutica, na indústria química, em cosméticos, na alimentação de gados, na redução de poluentes. Por isso, vender a Petrobrás é deixar o povo refém do mercado internacional”, disse o dirigente da Confederação Nacional do Ramo Químico da CUT (CNQ/CUT) e do Sindpetro Unificado-SP/FUP, Itamar Sanches.

Fonte: CUT-DF

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