Greve geral de 18 de março entra na agenda de luta aprovada em congresso da Condsef

O XIII CONCONDSEF e IV CONFENADSEF (confederação e federação dos servidores públicos federais) terminaram nesse domingo (15) com a tarefa de construção da resistência contra ataques aos servidores e na luta em defesa dos serviços públicos brasileiros. O encontro ainda elegeu a nova coordenação das entidades, que foi composta por chapa única.

Reconduzido ao cargo, o secretário-geral da Condsef, Sérgio Ronaldo da Silva, destacou a importância desse momento histórico. “A construção dessa unidade será fundamental para enfrentarmos os desafios que não são poucos e estão sendo impostos a nós e ao serviço público brasileiro”.

Cerca de 500 representantes de dezenas de categorias do setor público participaram de três dias de debate intenso. Além de definir a direção da maior entidade representativa de servidores federais da América Latina, a atividade apontou um calendário de lutas que culmina com a participação dos servidores na greve geral convocada por centrais sindicais no dia 18 de março. Antes, a partir de janeiro, a Condsef/Fenadsef e suas filiadas organizam atividades e marcam presença no Congresso Nacional onde acompanham tramitação de diversos projetos que afetam o setor público.

Entre as/os debatedores do Congresso, a secretária de Organização e Política Sindical da CUT Nacional, Graça Costa, reforçou a convocação para a greve geral do dia 18 de março. Antes disso, informou ela, no dia 12 de fevereiro haverá grande ato no Congresso Federal. “Não queremos só tirar o Bolsonaro do poder, mas tirar o projeto que ele defende”.

De acordo com Graça, para a CUT, é importante que todos compreendam que o golpe que foi dado, continua se aprofundando e a conjuntura pode ficar ainda mais complexa. “Além das nossas lutas específicas e de cada categoria, precisamos defender a democracia e a soberania nacional”, afirmou ela.

Reforma administrativa

Um dos temas tratados durante o XIII CONCONDSEF e IV CONFENADSEF foi a reforma Administrativa, que teve sua apresentação adiada pelo governo federal para 2020. De acordo com o representante do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) Antônio Augusto de Queiroz, a PEC 188 referente ao pacto federativo, que tem seis eixos principais, entre eles o que propõem acabar com inúmeros municípios do Brasil; e a PEC 186 que congela promoções e progressões, colocam a reforma em curso. “Caso essas propostas passem, sobrará pouca coisa para a Reforma Administrativa alterar”, refletiu. Segundo ele, “a visão do governo em relação ao Estado é de que é contrário ao mercado e vinculado aos setores de esquerdas, então desmonta o Estado para retirar a presença do inimigo”, avaliou ele.

Antônio salientou que a Reforma Administrativa não tem o mesmo apelo com a sociedade como teve a da Previdência, então as entidades representativas dos servidores deverão ser muito combatidas.

Segundo o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Max Leno de Almeida, desde o golpe, os ataques à sociedade foram intensos através da PEC 95, das reformas Trabalhista e da Previdência, e agora do programa de privatizações de Jair Bolsonaro. “É evidente o desmonte do Estado e a mercantilização dos direitos”, ponderou acrescentando que “isso não é de hoje”, e citou como exemplo o Plano Diretor do governo de Fernando Henrique Cardoso.

O representante do Dieese ainda desmentiu os argumentos de crise econômica e o estado brasileiro inchado e ineficiente do governo federal para implementar a reforma Administrativa. “E esse o discurso que será usado para conseguir apoio da sociedade”, disse. Para ele, os desafios são maiores para o setor público do que para o privado, “pois os servidores atuam em áreas estratégicas que estão sob risco”.

Ato contra ataques

Antes da abertura do XIII CONCONDSEF e IV CONFENADSEF, realizado na última sexta (13), o Sindicato dos Servidores Públicos Federais no DF (Sindsep-DF) realizou ato/debate contra os ataques aos servidores e ao serviço público, em frente ao Ministério da Economia. Na atividade, foram ressaltados os prejuízos à população com o desmonte do serviço público.

Segundo o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, que participou da atividade, o ato demarcou a posição de luta dos servidores federais. “Temos muita preocupação em defender o que é nosso direito. Valorizar o nosso trabalho para ter um Estado que atenda a população. Querem precarizar o Estado e vender empresas que são fomentadores de renda para o país”, afirmou.

Fonte: Condsef, Sindsep-DF | Edição CUT Brasília

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