Servidores do CNPq se mobilizam em defesa do órgão e da produção científica no Brasil

Na tarde desta quinta-feira (12), os servidores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) se reuniram em assembleia para discutir os ataques do governo Bolsonaro ao órgão e à viabilização da produção de conhecimento no Brasil. Organizado pelo SinGCT − sindicato que representa a categoria −, o encontrou contou ainda com palestra sobre as ameaças ao funcionalismo público.

De acordo com o dirigente do SindCGT e servidor do órgão Alexandre Correia, além do corte dos recursos destinados à pasta, há mais ou menos quatro meses, o governo federal tem discutido um plano de fusão entre o CNPq e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

A justificativa é que as pastas desenvolvem atividades semelhantes e que não há recursos suficientes para mantê-las. O argumento, entretanto, é rebatido por Correia, que destacou que “o CNPq fomenta a ciência, pesquisa e tecnologia, enquanto a Capes fomenta o aperfeiçoamento do quadro de professores e individual”.

O mesmo entendimento é compartilhado pelo presidente do SindGCT, Roberto Muniz, que apontou que, apesar de integrarem o mesmo sistema, “as pastas não desempenham as mesmas funções. Ao contrário, são atividades distintas que se complementam”. “Durante 68 anos as duas agências, cada uma com sua missão, realizam um excelente trabalho para o desenvolvimento do país”, afirmou.

Outra ameaça proposta pelo governo Bolsonaro e que tem sido veemente combatida pelo SindGCT é a extinção do CNPq e da Capes, o que resultaria na criação de um novo órgão que abarcaria as atividades desempenhadas pelas duas pastas. Para essa nova instituição, seriam aproveitados somente os servidores da Capes − vinculado ao Ministério da Educação −, deixando assim os servidores do CNPq − vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações − à mercê de soluções não apresentadas. “Entendemos que, por trás de tudo isso, há a intenção do MEC de ter controle sobre a produção científica − talvez, ideológica − e quebra a produção de ciência como algo público”, disse Correia.

Na avaliação do dirigente, caso o CNPq e a Capes sejam extintos, a sociedade seria a parcela mais prejudicada, pois “deixará de ter um órgão extremamente comprometido e atuante no desenvolvimento das estruturas do país”. “O CNPq tem atuado para o desenvolvimento do país em vários âmbitos: cultural, industrial, intelectual e cientifico. Isso se reverte em ganho para a sociedade. Seja o ganho material ou imaterial”, afirmou o dirigente.

Frente a esses ataques, o SindGCT tem realizado um árduo trabalho juntos aos parlamentares − tanto oposição quanto governistas − a fim de barrar qualquer projeto que possa vir a tramitar no Congresso Nacional.

Segundo Muniz, a maioria dos deputados têm se posicionado contrária à fusão ou extinção dos órgãos. “Do jeito que está, dificilmente haverá aprovação de um projeto ou de uma medida provisória. Entretanto, é fundamental que estejamos atentos. Não podemos cruzar os braços. Precisamos continuar mobilizados e não baixar a guarda porque o governo não desistiu dessa ideia” disse.

Fonte: CUT Brasília

Deixe um comentário:

Digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome