Trabalhadores da CEB encerram greve; luta continua contra a privatização

Reunidos em assembleia nesta sexta-feira (6), trabalhadores e trabalhadoras da CEB deram fim ao movimento grevista iniciado na última terça (3). A luta, entretanto, segue firme, agora contra a tentativa de entregar a estatal à iniciativa privada a partir do projeto de privatização defendido pelo governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB).

A intermediação do TRT 10ª Região foi definitiva para solucionar o impasse entre a direção da CEB e a categoria. Em audiência de conciliação solicitada pelo STIU-DF, sindicato que representa os cebianos, o vice-presidente do Tribunal, desembargador Brasilino Santos Ramos, viabilizou avanços importantes para a composição do Acordo Coletivo de Trabalho 2019/2020 da categoria.

“Conseguimos manter o condutor autorizado. Neste caso, a empresa queria reduzir de quatro para duas categorias, e acabou recuando. Também conseguimos melhorar o auxílio-creche/babá em comparação ao que a CEB havia apresentado. Outra questão importantíssima é que conseguimos resolver a questão da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). A empresa queria fixar indicadores inatingíveis, justamente para tornar a cláusula praticamente sem efeito. Conseguimos estabelecer que os indicadores são os mesmos da Aneel”, resume o diretor do STIU-DF e funcionários da CEB, João Carlos.

Ele lembra que esta data-base foi uma das mais difíceis, diante da conjuntura que apresenta retirada de direitos e benefícios. Segundo ele, a CEB queria “aniquilar os direitos conquistados pela categoria”. Para se ter ideia, se dependesse da empresa, das 53 cláusulas que compõem o acordo, 22 seriam eliminadas. Mesmo que não tenham garantido qualquer índice de reajuste salarial, a categoria manteve direitos que são fruto de lutas histórias, como uma cláusula que inviabiliza a demissão imotivada.

O dirigente sindical também lembrou que a conjuntura ainda é marcada por uma agenda de privatização das empresas estatais, e que a privatização da CEB não traz prejuízos apenas à categoria, mas a toda sociedade.

“Nosso debate não é só um debate corporativista. É um debate da importância de manter a CEB pública para o Distrito Federal. A gente está assistindo aos exemplos de privatização nos outros estados. O exemplo mais próximo que a gente tem é no estado de Goiás, onde o próprio governador, em conjunto com a oposição, já está falando abertamente em reestatizar a Celg (empresa de distribuição de energia do estado). Não entendemos por que o governador do DF está insistindo com essa agenda de privatização sabendo que isso vai ser muito prejudicial para a população, com a precarização do atendimento, apagões e o encarecimento da tarifa. O governador não fala isso abertamente para a população. Ele diz que será bom, sem mostrar a realidade dos outros estados”, denuncia o dirigente sindical do STIU-DF.

Além dos avanços no ACT, os trabalhadores e trabalhadoras da CEB também terão os dias de greve abonados. Os trabalhos retornam ao normal ainda hoje.

Fonte: CUT Brasília

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