14º CECUT | Defender a democracia é determinante para contrapor a opressão de gênero

Em um contexto de supressão de direitos trabalhistas, austeridade fiscal, criação de novas formas de trabalho ainda mais precarizadas e alta do conservadorismo bancada pelo governo federal, as mulheres, mais uma vez, são as principais vítimas. Para superar esse cenário caótico, a defesa da democracia se mostra determinante para romper com o retrocesso iniciado desde o golpe de 2016. O tema fez parte do painel Os Desafios das Mulheres como Classe Trabalhadora, que integra o Seminário de Atualidades Políticas do Mundo do Trabalho – os desafios da classe trabalhadora, parte da programação do 14º CECUT – Lula Livre.

Para a secretária-geral nacional da CUT, Carmem Foro, na luta contra a opressão de gênero que vem se ampliando diante de projetos antipovo e imposições comportamentais, “é necessário retomar a história, compreender o espaço das mulheres ao longo dos diversos momentos, para entender a opressão e combatê-la”.

Ela destacou que a opressão de gênero, que sempre existiu, foi aprofundada a partir do golpe de 2016, quando a democracia brasileira começou a ser estraçalhada. “Se para a classe trabalhadora não haverá nenhuma chance sem democracia, para as mulheres dessa classe, as chances são menores ainda.”

Em sua fala, Carmem Foro ainda ressaltou que o feminismo não é uma construção individual, mas coletiva e organizada, e que os ganhos no contexto de gênero não se darão enquanto uma mulher que seja sofra preconceito, agressões e até morra pelo fato de ser mulher.

Carmem Foro, secretária-geral Nacional da CUT

Para a também palestrante Luana Pinheiro, da Afipea (Associação de Funcionários do Ipea), é preciso reconhecer uma série de desafios impostos às mulheres para superar o cenário caótico apresentado.

Um desses desafios é revalidar a pauta da discussão de gênero que vem sendo endemonizada por setores reacionários, apoiadores do governo Bolsonaro.

Outro desafio é desmascarar a tese da ideologia de gênero. “Esse é um termo fabricado, que é um cavalo de tróia: vem cheio de conservadorismo, valores tradicionais, família tradicional, que dificultam o diálogo sobre a nossa realidade”, disse Luana.

Segundo a palestrante, dentro da próprio movimento feminista, é preciso revalidar a questão dos diferentes perfis e situações de mulheres no mundo do trabalho. “Oferecer políticas alternativas para mulher branca de classe média é uma coisa, pra uma negra e periférica, é outra”, alerta. Atualmente, a mulher negra chega a receber metade do salário de um homem branco, exercendo a mesma função.

Luana Pinheiro ainda destacou que a Reforma da Previdência, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, prejudica ainda mais as mulheres. “As mulheres, com constância, saem do mercado de trabalho para cuidar dos familiares idosos, dos filhos, para depois voltarem. Com as novas regras do tempo de contribuição, dificilmente uma mulher, principalmente as que estão em situação econômica vulnerável, conseguirão aposentar. As que conseguirem, terão a aposentadoria super rebaixada.”

Luana Pinheiro, da Afipea

Feminicídio

Desde o início do governo Bolsonaro, o índice de feminicídio (morte de mulheres pelo fato de serem mulheres) vem crescendo exponencialmente. No Distrito Federal, onde o governador Ibaneis Rocha (MDB) segue a cartilha do pesselista, 36 mulheres foram mortas desde janeiro.

“Não aceitaremos o fascismo. Não aceitamos essa ‘autorização’ para matar mulheres”, disse a secretária-geral da CUT Nacional, Carmem Foro.

Combater o feminicídio passa também, para as debatedoras, pelo rompimento com o fundamentalismo, que submete as mulheres a um instrumento para a organização da família, em um cenário onde elas trabalham no espaço privado pelo menos 10 horas diárias a mais que eles, sendo responsabilizadas pelo trabalho doméstico.

Fonte: CUT Brasília

Deixe um comentário:

Digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome