14º CECUT | Ataques à Educação devem ser combatidos por todos os segmentos

Em todas as sociedades, a Educação tem sido fundamental para alcançar uma sociedade mais justa e igualitária. Não por acaso, o modelo de um país é definido a partir do nível de educação oferecido a sua população. Entretanto, nos últimos anos, o Brasil tem trilhado um caminho inverso ao dos países de primeiro mundo, que investem milhões na área. Esse aspecto foi apontado no painel “Ataques à educação e os desafios da classe trabalhadora”, durante o 14º CECUT Lula livre, realizado no Sindicato dos Bancários nesta sexta-feira (8).

‘É a partir da Educação que temos uma sociedade mais justa para todos e todas. É dentro das salas de aula que formamos gerações. Independente do ramos , precisamos defender a educação como pública e para o povo. É responsabilidade de todos nós”, destacou a diretora do Sindicato dos Professores de Brasília Rosilene Correa.

Rosilene Correa, dirigente do Sinpro-DF

O secretário executivo do Fórum Nacional Popular da Educação (FNPE), Walisson Araújo, lembrou que, nos últimos dez anos, sob gestão de governos estadistas, o país viveu uma grande revolução no processo de direitos voltados à educação. Em contrapartida, destacou Araújo, em menos de um ano de governo Bolsonaro, a pasta tem sofrido retrocessos sem precedentes. “A crise da educação no Brasil não é uma crise. É um projeto. E isso tem ficado mais claro nos últimos três anos”, disse.

Para Araújo, uma das principais investidas de Bolsonaro para enfraquecer a educação é atacando Paulo Freire e o que sua figura representa. “Querem expurgar a ideologia de Paulo Freire das escolas com ataques que se expressam das mais variadas formas. Inclusive com projetos de lei visam tirar de Freire o título de Patrono da Educação Brasileira”, afirmou.

O secretário assinalou ainda o despreparo de ministros da Educação, que criam narrativas para atacar professores, alunos e as universidades públicas. “Ao mesmo tempo que querem intimidar o professor com o projeto Escola sem partido, querem também silenciar o os alunos com uma agenda de militarização das escolas públicas”, disse.

Walisson Araújo, secretário executivo FNPE

O fim do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), proposto pelo governo Bolsonaro, também foi apontado com um grande ataque à educação. Composto por 27 fundos (26 estaduais e 1 do Distrito Federal), o Fundeb é responsável por atender toda a educação básica, da creche ao ensino médio. É dele que vêm os recursos destinados para a valorização das/os professoras/es e para o desenvolvimento das etapas ensino básico.

Em vigor desde janeiro de 2007, o Fundo, que beneficia mais de 33 milhões de estudantes e 2,3 milhões de professoras/es, corre risco de ser extinto. “Serão cerca de 150 milhões de reais que podem deixar de ser investidos na Educação. Sem Fundeb, não há salário para os professores. Sem Fundeb, não há educação básica e só quem tem dinheiro terá acesso à Educação no mercado privado”, disse Araújo.

O presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), professor Pasquetti, destacou que o processo de extinção da educação pública chega também ao Ensino Superior, com o projeto Future-se.

Professor Pasquetti, presidente da ADUnB

Lançado em 17 de julho, o Future-se propõe um “novo modelo de financiamento” do ensino superior no Brasil, com “maior autonomia financeira às universidades e institutos federais por meio de incentivo à captação de recursos próprios e ao empreendedorismo”. “Desde 2012, os filhos da classe trabalhadora têm ingressado no ensino superior e mudado a cara das universidades públicas. Isso tem incomodado muito as elites. O Future-se nada mais é que a destruição das universidades como públicas e de qualidade. É importante que tenhamos em mente que, sem educação pública, não há soberania nacional”, finalizou Pasquetti.

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Fonte: CUT Brasília | Fotos: Allen Mesa

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