Sítio de Atibaia: Lava Jato usou denúncia contra Lula para criar distração

Os procuradores da Operação Lava Jato de Curitiba decidiram adiar a divulgação da denúncia contra o ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia, em São Paulo, para não dividir a atenção com o escândalo dos grampos envolvendo o empresário Joesly Batista e o ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), de acordo com o novo episódio da Vaza Jato publicado nesta segunda-feira (14) pelo site The Intercept Brasil. A reportagem é de Rafael Neves.

O dono da JBS gravou uma conversa com Temer no subsolo do Palácio do Jaburu. Quando o empresário disse que estava “de bem com o Eduardo”, Temer respondeu: “Tem que manter isso, viu…”, supostamente se referindo a pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que estava preso. Áudios entregues pelos delatores da JBS indicaram também que Marcelo Miller teria auxiliado os executivos da JBS a fechar acordo de delação premiada enquanto ainda era procurador da República.

Quando a conversa vazou, a turma de Curitiba decidiu agir para não prejudicar a repercussão da divulgação da denúncia contra Lula e também para proteger o colega Marcelo Miller.

De acordo com mensagens obtidas pelo site The Intercpet, a procuradora Jerusa Viecelli informou em 17 de maio de 2017 em um grupo da força-tarefa no aplicativo Telegram que a denúncia contra Lula estava pronta. Porém, horas antes, veio à tona os áudios envolvendo Temer e Joesley. Por conta disso, o grupo optou por adiar a divulgação da denúncia, que foi feita cinco dias depois.

Antes de definir a data, o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, procurou a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 21 de maio de 2017 para saber se haveria operação em Brasília para não dividir as atenções. Ao saber que não haveria operação, Dallagnol liberou a divulgação da denúncia contra Lula. No grupo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que se aposentou em setembro do ano passado, disse que o fato iria “criar uma distração e mostrar serviço” da Lava Jato

Eles queriam manipular a opinião pública para encobrir o fato de que a delação da JBS havia sido manipulada por um procurador da República que havia recebido ‘honorários’ de R$ 700 mil da JBS, por meio do escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe, para orientar o acordo de leniência da empresa na delação.

O procurador Athayde Costa considerava que o Ministério Público estava “perdendo a guerra da comunicação” no caso da JBS. Concordando, Dallagnol angustiava-se com o silêncio de Janot, que não havia se manifestado publicamente desde a revelação feita pelo jornal O Globo no dia 17 de maio. Um trecho do diálogo entre os dois no Telegram mostra que Dallagnol tentou orientar o procurador-geral da República sobre como abafar a crise.

Leia aqui a íntegra da reportagem.

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