CUT quer mais Paulo Freire e menos Bolsonaro, diz dirigente da Central em ato pela educação

Estudantes, professores, sindicalistas, parlamentares lotaram o auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados nessa quarta-feira (6/10) para mais uma vez repudiar a política de desmonte da educação pública adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, que aplica a estratégia através de cortes dos recursos para o setor e ataques à autonomia e à liberdade de expressão nas escolas, universidades e institutos federais de ensino.

A ação, intitulada como Ato em Defesa da Educação Pública, da Ciência, da Tecnologia e da Soberania Nacional, marcou a Greve Geral da Educação e homenageou o educador e patrono da educação brasileira, Paulo Freire, e o presidente Lula. Eles são ícones brasileiros da defesa da educação que liberta, que transforma a sociedade e viabiliza um mundo mais justo e consciente.

Considerando a importância de Paulo Freire e de Lula para a educação no Brasil, o secretário adjunto de relações internacionais da CUT, Ariovaldo Camargo, lembrou que o 13º Congresso Nacional da Central – que será realizado de 7 a 10 de outubro – leva o nome de “Lula Livre”. “A maior central sindical desse país tem o entendimento de que nós só vamos ter democracia, soberania, escola pública, ciência e tecnologia de volta para a sociedade quando Lula deixar a prisão e voltar coordenar e dirigir as lutas desse povo e desse país”. Para o secretário da CUT, o Congresso não irá apenas se contrapor à escola cívico-militar, mas também defender que os 55 milhões de alunos de ensino fundamental e médio do país tenham acesso à educação de qualidade em todos os níveis de ensino. “A Central se soma ao mundo que quer mais Paulo Freire e menos Bolsonaro”, encerrou Ariovaldo Camargo.

O ato em defesa da educação ainda contou com a presença da pedagoga Ana Maria Araújo Freire, mais conhecida como Nita Freire, viúva de Paulo Freire. Ela emocionou a plateia ao relembrar diversas passagens políticas da vida do educador. Também compartilhou a experiência de uma ex-aluna sua que iniciou um projeto em Belém (PA) de alfabetização de jovens e adultos em um hospital. “Quando perguntados o que eles (os pacientes) mais queriam, eles diziam que queriam aprender a ler para morrer igual gente”, contou Anita. Em outra passagem sobre o exílio de Paulo Freire, Nita relembrou que ainda temos contas a acertar com ditadura e seus algozes. “No Brasil nós não condenamos pessoas que torturaram pessoas e até crianças. A gente paga caro por isso. Nós não conseguimos punir nossos torturadores e por isso hoje temos um novo movimento que adora tortura, que fortalece a tortura, que voto em nome do maior torturador do Brasil, o coronel Ustra. Isso é inadmissível.”

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, Heleno Araújo, avaliou que as políticas de Bolsonaro têm como objetivo desmontar o espaço de participação social e o direito humano à educação pública. Para isso, afirma Araújo, o capitão reformado implementa cortes no orçamento já rebaixado devido ao golpe de Estado em 2016. “Por isso, a mobilização aqui e nas ruas é fundamental. Os trabalhadores e trabalhadoras da educação básica estão na luta até restabelecer democracia no país, que só será possível com a liberdade do presidente Lula”, apontou.

Já a secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Edjane Rodrigues, destacou, entre outros pontos, a necessidade de fortalecer a educação no campo. Ela explicou que, atualmente, a educação na zona rural passa por um momento bastante crítico, inclusive com escolas sendo fechadas. “É importante ressaltar que sem educação no campo, não teremos sucessão rural. Não teremos também o fortalecimento e valorização da agricultura familiar e a garantia da produção de alimentos saudáveis no país”, disse.

O presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE, Iago Montalvão, destacou que o momento exige diálogo com a sociedade. “Precisamos desmentir o que esse ministro fala das universidades. E amanhã é dia de mais mobilização, pois só com o povo nas ruas, conseguiremos vencer os ataques das elites que estão sedentas para impor o autoritarismo”, conclamou. Montalvão rebateu ainda o discurso do governo de que não houve cortes no orçamento destinado à educação, mas sim contingenciamento. “Houve cortes. A universidades foram prejudicadas. Estudantes abandonaram suas pesquisas por não terem bolsas. Isso é corte”, retrucou.

Durante os discursos, o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), Gilson Reis, lembrou que o orçamento para a educação pública no País tem caído violentamente desde o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff em 2016. Ele lembrou que em 2015 o orçamento para o setor era de R$ 143 bilhões, enquanto para 2020 será de apenas R$ 115 bilhões, quase R$ 30 bilhões a menos.

“Estamos diante da maior ofensiva das elites contra o direito a educação no País. Nos últimos 90 anos sempre estivemos em ascensão nas políticas públicas para a educação, mas nesse momento a política é de destruição”, criticou. Ele disse ainda que o prejuízo é maior em setores específicos. Para a educação infantil, por exemplo, o orçamento em 2015 para investimento era de R$ 5 bilhões, e o previsto para 2020 é de apenas R$ 70 milhões. Para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 2015, o investimento foi de R$ 60 milhões. Já em 2020 vai cair para apenas R$ 25 milhões.

Como reação ao retrocesso, o deputado José Guimarães (PT-CE) propôs um boicote à votação do orçamento para o ano que vem. “Daqui a pouco o Congresso vai votar o orçamento para 2020, temos que bater na mesa e dizer que não votaremos enquanto não se der prioridade à educação”, disse.

Fonte: CUT Brasília, com Agência PT e CNTE | Foto: Agência PT

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