Peça teatral “Manhã” é alvo de ameaças e mensagens de ódio

“Isso é cultura? Ver boiola se esfregando um no outro, vemos todos os dias na rua”. ”Vai caçar o que fazer”. “Que coisa ridícula”. Esses são alguns dos comentários recebidos pelo Grupo Domo de Teatro e Artes Integradas em sua página no Facebook, desde que anunciou o retorno à Brasília com a Peça Manhã.

O grupo se apresenta na capital federal nesta sexta (27) e sábado (28), às 19h30, e no domingo (29), às 19h, no Teatro Funarte. A peça, que teve estréia em Brasília, já foi assistida por mais de 4 mil pessoas e percorre o Brasil há sete anos. Com temática LGBT, Manhã propõe uma viagem poética para abordar as relações humanas. Ao mesmo tempo, lembra que amor é sempre amor, independentemente de credo, sexo ou tradição.

De acordo com o diretor e integrante do elenco de Manhã, André Garcia, além dos comentários abertos nas postagens sobre o espetáculo, mensagens mais agressivas são recebidas diariamente via inbox. Os discursos vão desde o viés religioso ao político.

Em algumas declarações mais maldosas, chegam a comparar o grupo a pedófilos. Garcia lembra ainda que uma pessoa entrou em contato com a Companhia se passando por jornalista para saber onde o grupo ensaiava. Diante dos ataques, Garcia conta que solicitou reforço da segurança no local do espetáculo e que começou a denunciar as ameaças. Dois boletins de ocorrência já foram registrados.

“Inegavelmente, todos os comentários têm em comum uma coisa: são dos eleitores do atual governo. Não é querendo fazer um discurso político em cima da situação, mas percebemos que eles (eleitores) se sentem  à vontade para fazer esse tipo de comentário porque têm respaldo em sua representação política”.

Na avaliação do professor e ator, Israel Marcos Silva, esses ataques são consequência da nova política do  governo federal. Para ele, trata-se de um “governo homofóbico e misógino, de extrema direita, que visa a exclusão da diversidade, desvalorizar a cultura, atacando qualquer elemento que traga reflexão e desenvolva uma visão crítica nos expectadores”.

“Os milhões de brasileiros e brasileiras que comungam dessa mesma visão, agora estão livres (de acordo com a ideia do ódio) para atacar e tentar criar cada vez mais obstáculos em relação aos trabalhos voltados para arte e cultura”esses, valorizam a diversidade, a crítica e a igualdade entre as pessoas”, afirmou.

Mais informações sobre o espetáculo aqui.

Fonte: CUT Brasília

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