Sessão solene em homenagem à Marcha das Margaridas reafirma protagonismo das mulheres na luta

“A Marcha das Margaridas é representação da força e da luta diária das mulheres”. Esse entendimento foi reafirmado em sessão solene realizada nesta terça (13), na Câmara dos Deputados. A atividade contou com intensa representação das mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade, além de indígenas, parlamentares, e representantes do movimento sindical.

“Temos uma força incomum, pois, quando nos juntamos, as coisas acontecem, de fato. Hoje, são milhares de mulheres nas ruas de Brasília. Estamos denunciando ao mundo inteiro toda forma de  opressão”, disse a secretária nacional da Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida.

Madalena Margarida (secretária nacional de Saúde da CUT)

O Plenário da Casa − espaço reservado para o evento − ficou pequeno para a quantidade de pessoas. Devido à intensa demanda para participação, foi necessária a distribuição de senhas. O espaço cheio surpreendeu alguns parlamentares, já que, o governo Bolsonaro tem sido marcado pela limitação da participação popular.

Gleisi Hoffmann (deputada federal e presidenta do Partido dos Trabalhadores)

“Está lindo ver esse plenário cheio do povo. Cheio de mulheres trabalhadoras. Esse Plenário, que tem ficado tão afastado do povo brasileiro em um momento em que estamos discutindo temas tão importantes para a sociedade. Hoje, a Casa do Povo se alegra em receber a Marcha das Margaridas”, destacou a deputada federal e presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann.

E, de fato, o espaço estava alegre e bastante colorido. O sentimento que pairava no ambiente era de resistência e ansiedade pela grande marcha que ocorrerá na manhã desta quarta-feira (14). Na avaliação da secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Mazé Morais, a consumação da marcha será a coroação do grande movimento que vem sendo construído ao longo de meses de mobilização.

Mazé Morais (secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag)

“Nesse momento de retrocesso dos direitos da classe trabalhadora, é fundamental que nós, mulheres, protagonizemos grandes mobilizações pelo país afora. Chegar aqui em Brasília e dizer NÃO a tantos ataques, é uma expressão de luta e resistência”, disse.

O evento contou também com a presença de centenas de indígenas, que estão em Brasília para a 1º Marcha das Mulheres Indígenas. No início da manhã, o grupo marchou do gramado da Funarte − local onde estão acampadas − rumo ao Museu da República. Lá,  se juntou aos milhares de trabalhadores e estudantes no Tsunami da educação para avançar em direção ao Congresso Nacional.

“Estamos nos juntando à Marcha das Margaridas para selarmos um pacto de unidade. Não estamos aqui para ser ameaçadas, violentadas. Estamos aqui para ser respeitadas”, disse a representante dos povos indígenas Sonia Guajajara.

Marcha das Margaridas

Desde esta terça-feira (13), mulheres do campo, da floresta e das águas de todo Brasil começaram a chegar em Brasília para realizar a Marcha das Margaridas, agendada para esta quarta-feira (14). A concentração para a atividade começa às 6h, no Pavilhão do Parque − local onde o grupo está acampado. A saída rumo à Esplanada dos Ministérios está agendada para às 7h.

Nesta 6ª edição, a Marcha das Margaridas traz como lema: “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”. São quatro eixos destacados por elas: 1. Por terra, água e ecologia; 2. Pela autodeterminação dos povos, com soberania alimentar energética; 3. Pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e acesso aos bens comuns; 4. Por autonomia econômica, trabalho e renda.

Além da grande marcha, a programação do evento conta com atividades diversas que abrange rodas de conversas, oficinas e outras.

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