PLENÁRIA PRÉ-CONCUT | Dirigente da CUT chama atenção para desafios diante da nova fase de acumulação capitalista

Delegadas e delegados do DF eleitos para o 13º COCUNT

A atual conjuntura do mundo do trabalho é marcada pelo surgimento de novas categorias submetidas a relações de trabalho precárias e ausência total de direitos. Associado a isso, as entidades sindicais que organizam os trabalhadores vêm sofrendo uma série de ataques do governo Bolsonaro, seja com a tentativa de desidratação de seu financiamento ou novas legislações que impeçam sua existência. Diante do grave cenário, delegadas/os do DF eleitas/os para o 13º Congresso Nacional da CUT (CONCUT) discutiram em plenária realizada neste sábado (10) as novas estratégias que a CUT deve utilizar para assegurar a continuidade da luta em defesa da classe trabalhadora.

Três perguntas-chave foram postas para que a maior central sindical do Brasil organize a luta para os próximos e desafiadores anos: quem representar, como representar e como reorganizar seu financiamento.

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, essas perguntas norteiam as ações para enfrentar “os ataques do governo sobre os sindicatos” ao mesmo tempo em que apresenta diretrizes para que a Central enfrente a “nova fase de acumulação capitalista, onde trabalhadores estão sendo jogados ao trabalho precário, ou seja, trabalho sem qualquer direito”.

À esquerda, Antônio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT

“Temos o desafio da busca pelo trabalho decente, do fortalecimento da CUT como uma central sindical democrática, organizada pela base, classista, autônoma e independente. Não podemos jamais abdicar desses princípios, mas precisamos atualizar nossas estratégias para enfrentar a nova fase de acumulação capitalista, que utiliza das economias de plataforma, onde os patrões são algoritmos”, reflete.

Lisboa ainda avalia que o movimento sindical tem urgência em avançar na sua forma de organização. “O capital está organizado, e nós precisamos avançar com mais ousadia, pois os desafios são imensos”, alerta.

Embora a necessidade de reformular a organização sindical seja urgente, o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, lembra que é essencial “ouvir os trabalhadores”. “Somos um país de várias culturas e costumes. Então, a nossa luta não pode ter uma regra pré-definida. O nosso caminhar, acima de tudo, tem que ter como alicerce os nossos princípios, o reconhecimento das diferenças de cada um e, principalmente, a organização dos trabalhadores a partir da vontade e da forma como eles querem se organizar. Não podemos achar que temos uma fórmula pronta. É ouvir os trabalhadores. Nossa tarefa é dar a eles elementos para que formem sua consciência crítica”, orienta.

Em pé à direita, Rodrigo Britto, presidente da CUT Brasília

Embora a exploração da classe trabalhadora tenha ganhado novas formas, ela continua sendo uma exploração feita pelo capital. Diante disso, o secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, avalia que o papel da CUT é “dialogar com os trabalhadores”, independente de eles estarem em categorias tradicionais ou reconfiguradas. “Temos que nos fortalecer como um instrumento forte de luta e, seja lá a forma como estivermos organizados, que possamos entender que somos uma única classe: a classe trabalhadora, que é internacional. A frase que continua fazendo frente à nossa luta é a de Marx: trabalhadores do mundo, uni-vos!”

Para a vice-presidenta da CUT Brasília, Meg Guimarães, “mais do que nunca, se apresenta a necessidade de unidade da classe trabalhadora, e com certeza a CUT continuará sendo o principal ponto de apoio”.

Meg Guimarães, vice-presidenta da CUT, e Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da CUT Brasília

CECUT e CONCUT

Neste ano, o Congresso Nacional da CUT (CONCUT) será realizado antes dos congressos das CUTs estaduais. Como explica o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, a nova formatação é uma estratégia adotada para que as estaduais tenham tempo hábil de reformatar seus estatutos, adequando-os ao novo cenário.

Todavia, o Congresso Nacional da CUT será embasado pelas necessidades e sugestões feitas pelos estados, que vêm realizando assembleias e plenárias, como essa de sábado, realizada pela CUT Brasília. Neste sentido, uma nova plenária da CUT Brasília será realizada para reunir propostas a serem encaminhadas ao CONCUT. A data será divulgada em breve.

O 13° Congresso Nacional da CUT (CONCUT) será realizado de 7 a 10 de outubro, em Praia Grande, São Paulo. Já o 14º Congresso Estadual da CUT (CECUT) – Lula Livre será nos dias 8 e 9 de novembro, no Sindicato dos Bancários de Brasília.

Moções

Durante a plenária da CUT Brasília e sindicatos filiados deste sábado, que discutiu o temário geral do CONCUT, foram aprovadas duas moções: uma em repúdio às tentativas de intimidação da Federação dos Trabalhadores dos Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) e outra em apoio ao povo da Venezuela e de Cuba, que vêm sofrendo sérios ataques dos países imperialistas. Os documentos serão publicados nos próximos dias.

Fonte: CUT Brasília

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