Defesa do meio ambiente deve engrossar Greve Geral, defende dirigente da CUT Brasília

Neste 5 de junho comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. No Brasil, a data é lamentavelmente marcada por retrocessos intencionalmente aplicados pelo presidente Jair Bolsonaro. As ações de extermínio direcionadas ao setor sanam os anseios de ruralistas e empresários do agronegócio, ao mesmo tempo em que descumprem a Constituição Federal e prejudicam a população. Para a secretária do Meio Ambiente da CUT Brasília Vanessa Sobreira, a política anti meio ambiente de Bolsonaro é mais um dos motivos que devem engrossar a Greve Geral do dia 14 de junho.

“A Greve-Geral do dia 14 de junho traz como pauta principal a luta contra a reforma da Previdência. Mas uma série de outros eixos compõem a pauta do movimento paredista. Não menos importante é a questão da preservação do meio ambiente, um direito do povo, registrado na própria Constituição Federal. Sem meio ambiente, não há condições de vida! E isso deve bastar para que não só a classe trabalhadora, mas a sociedade em geral, cruze os braços na Greve Geral”, alerta Vanessa Sobreira.

As ações de Bolsonaro contra o meio ambiente vêm antes mesmo de sua posse. Na contramão da onda de sustentabilidade que envolve o mundo inteiro, o presidente ultraliberal cumpriu com sua palavra. Para tentar amenizar o tom do desmonte do setor por ele entoado, Bolsonaro não acabou com o Ministério do Meio Ambiente, mas escolheu como ministro da pasta Ricardo Salles, condenado em primeira instância por fraude na elaboração de plano de manejo em uma Área de Proteção Ambiental em favor de empresas mineradoras. Daí pra frente, uma enxurrada de medidas, decretos e propostas em tempo recorde que desembocaram no ataque intencional ao meio ambiente.

A dirigente sindical lembra que, entre os ataques de Bolsonaro estão o aumento do desmatamento; uso irrestrito de agrotóxicos proibidos no mundo todo; favorecimento do agronegócio e desprestígio da agricultura familiar; perseguição à demarcação das terras dos povos indígenas e quilombolas; apoio aos latifundiários e morte dos trabalhadores rurais sem terra; risco às áreas de proteção ambiental; a diminuição da sociedade civil na construção de políticas públicas voltadas ao meio ambiente e várias outras questões.

A secretária de Meio Ambiente da CUT Brasília afirma ainda que “não há nenhuma inocência” na aplicação de tais políticas. “Todas essas ações de Bolsonaro não são mera desinformação. Ele tem como financiadores os ruralistas, aqueles que atuam no agronegócio, que matam o nosso meio ambiente em nome do lucro”, repudia.

Reportagem da BBC mostra estudo realizado por universidades estrangeiras, liderados pela ONG Conservação Internacional, que comprova que o Brasil, ao lado dos Estados Unidos, lidera a lista de 73 países que cometem retrocesso ambiental. O estudo analisou todos os atos governamentais que resultaram em redução de metragem, diminuição de restrições ou extinções de áreas de proteção ambiental em todo o mundo de 1892 a 2018.

“As mudanças regressivas buscam alterar ou remover legalmente o status de proteção e diminuir o tamanho das áreas de conservação natural”, afirma comunicado divulgado pela Associação Americana Para o Avanço da Ciência (AAAS).

Outra denúncia feita pela BBC aponta que 68% das áreas de proteção e indígenas da Amazônia estão ameaçadas para atender projetos de infraestrutura, planos de desenvolvimento econômico e atividades de exploração. O alarmante número é apresentado pelo estudo da Rede Amazônica de Informação Ambiental Georreferenciada (Raisg), sob a coordenação da ONG Instituto Socioambiental.

Fonte: CUT Brasília

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