Condsef afirma que Guedes usa reforma da Previdência para fazer chantagem com direitos do povo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, ameaçou deixar o Brasil caso sua reforma da Previdência não seja aprovada. Maior defensor da PEC 6/19, enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso Nacional, Guedes deu a declaração em entrevista publicada hoje pela revista Veja. Não é só essa a ameaça que o ministro tem feito para forçar a aprovação dessa reforma que retira o direito à aposentadoria de milhões de brasileiros. Cortes e bloqueios de recursos em diversas áreas do governo têm sido promovidos sob a alegação de que serão liberados caso o Congresso aprove a reforma da Previdência. Para a Condsef/Fenadsef o ministro adota uma estratégia que envolve chantagem com algo grave: a ameaça ao direito dos brasileiros de acesso a serviços públicos. Além disso, no início dessa semana, o próprio ministro surgiu em vídeo que viralizou dizendo em tom jocoso que venderia todo o patrimônio público brasileiro.

A Confederação vem alertando há tempos que a política de austeridade promovida pelo governo pode agravar ainda mais a crise que se arrasta e se aprofundou do final de 2016 para cá. A Condsef/Fenadsef não faz o alerta sozinha. Diversos especialistas, incluindo o ex-ministro Bresser Pereira, já apontaram os equívocos de não adotar nenhuma política contracíclica. Cortar impiedosamente investimentos públicos já se mostrou uma política desastrosa não só no Brasil como em outros países onde a estratégia neoliberal foi adotada sem sucesso, inclusive na Europa, como Portugal, Espanha, Grécia que viveram experiências semelhantes. Até a jornalista Miriam Leitão, famosa por defender posturas em defesa do Estado mínimo, chamou atenção com texto sobre o alerta de servidores em defesa das instituições públicas.

A retirada de direitos da classe trabalhadora como forma de aumentar investimentos e gerar empregos se mostrou, da mesma forma, desastrosa. A reforma Trabalhista foi vendida como a solução mágica para a criação de empregos e o que se vê são os números de desempregados e desalentados, aqueles que já desistiram de buscar postos de trabalho, aumentarem no País.

Enquanto retira do trabalhador seu poder de compra e sua possibilidade de garantir uma aposentadoria digna, o governo empurra o País para um presente sem soluções para a crise e um futuro sem garantias. Em artigo, Bresser Pereira diz que os brasileiros têm diante de si não um governo, mas um desgoverno que envergonha. Bresser critica o que chama de mantras e propostas arquiconservadoras do governo e que isso não nos trará saídas para aquecer a economia e fazer o País voltar a crescer.

Alternativas

A falta de alternativas não é uma questão. Profissionais experientes de diversas áreas têm promovido debates em que a reforma da Previdência não surge como a única via de salvação como o governo quer tentar convencer a todo custo sociedade brasileira. Entre as ações propostas são listadas a reforma tributária, alteração da taxa de juros, auditoria da dívida pública, que leva quase metade do orçamento com o pagamento de juros, taxação de grandes fortunas, cobrança de devedores bilionários da Previdência, entre outras opções que podem vir antes de mexer no direito dos brasileiros a uma Previdência Pública. Em Petrolina, Bolsonaro defendeu Guedes e disse que o ministro está dando o recado de que “ele tem a fórmula para mudar o destino do Brasil e passa pela reforma [da Previdência]”.

Greve Geral
Na mesma proporção em que cresce a insatisfação de muitos, cresce o poder de mobilização da classe trabalhadora. Um grande calendário de atividades envolvendo a luta contra a reforma da Previdência já está acontecendo. No próximo dia 30, professores, estudantes e apoiadores da educação contrários aos cortes de mais de 30% nas despesas discricionárias nas Universidades e Institutos federais voltam às ruas. As manifestações também levantam a bandeira em defesa da Previdência Pública e do direito dos brasileiros à aposentadoria.

A atividade antecede a mobilização da classe trabalhadora em torno de uma grande Greve Geral convocada pelas centrais sindicais para o dia 14 de junho. A maioria dos servidores federais e trabalhadores de empresas públicas que compõem a base da Confederação vão se incorporar a essas atividades. Em artigo onde fala que não há combate a privilégios na reforma da Previdência, o diretor da Condsef/Fenadsef, Pedro Armengol, lança o alerta. “Não há conforto para ninguém neste momento, todos nós estamos ameaçados. É hora de unir os trabalhadores do campo e das cidades em defesa de um dos maiores bens que temos que é o direito a uma aposentadoria digna. Não vamos abrir mão disso”.

Fonte: Condsef

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