10º Congresso da Fenajufe denuncia o golpe de 2016, a prisão política de Lula e coloca no centro a greve geral de 14 de junho

Entre os dias 27 de abril e 1º de maio, foi realizado o 10º Congresso da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (Congrejufe), maior evento sindical dos servidores dos ramos da Justiça Federal brasileira (Justiça Federal, Trabalho, Eleitoral e Militar) e MPU.

Depois de um mandato de três anos, incapaz de denunciar o papel o Poder Judiciário e do MPU no ataque à democracia e aos direitos da classe trabalhadora, a maioria dos delegados deu a vitória às teses apresentadas pelos coletivos “Democracia e Luta” e “Judiciário Progressista”, formados por sindicalistas da CUT, CTB, Consulta Popular e independentes.

Logo após rechaçarem a interferência de Trump na Venezuela, inscrita na tese de conjuntura internacional, a maioria dos 500 delegados presentes acataram o documento de conjuntura nacional que afirma: “As eleições presidenciais de 2018, com a vitória eleitoral em 2º turno do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (39% do eleitorado e 55% dos votos válidos), trazem sérias ameaças à democracia e aos direitos conquistados com muita luta da classe trabalhadora. Elas se deram em meio à quebra do Estado Democrático de Direito e de ataque à democracia com o golpe travestido de impeachment em 2016 e impedimento da participação da principal liderança popular da nação, o ex-presidente Lula, condenado sem provas e preso político.”

Democracia e Luta, do Distrito Federal, realiza protesto durante o congresso

O documento ainda aponta o lugar das instituições e a interferência dos americanos no Brasil, mudando o curso da Federação que se calou frente ao alinhamento do Judiciário e MPU ao golpe:  “O Judiciário e o Ministério Público tiveram um papel ativo no golpe (célebre frase do senador não reeleito Jucá: “…com STF, com tudo”). Foi garantidor das reformas antipovo de Temer e atuante no afastamento do principal adversário da direita entreguista e da extrema direita representada por Bolsonaro e Mourão nas eleições. Não é menor o fato de o Departamento de Justiça norte-americano estar diretamente envolvido na Operação Lava Jato. Sabemos dos interesses dos americanos no Brasil, particularmente na Petrobras, no pré-sal e agora recentemente na Embraer.”

No plano de lutas, a prioridade apontada para o próximo período é a preparação da greve geral convocada pelas Centrais para o dia 14 de junho, a luta contra a “Reforma da Previdência” de Bolsonaro, a defesa da Justiça do Trabalho e a revogação da EC95 e da Reforma Trabalhista.

Vozes isoladas defenderam a política de Bolsonaro através de integrante do grupo “Fenajufe Independente”, do Sindjus/DF, que foi devidamente rechaçado pelos delegados. Prevaleceram as bandeiras da classe trabalhadora e as palavras de ordem “Lula Livre!” e “Greve Geral!”.

De Brasília, o Coletivo Democracia e Luta, com atuação destacada no plenário do Congresso, participou com 26 delegados e 13 observadores eleitos em assembleia do Sindjus. A servidora Ana Paula Cusinato, da Oposição ao Sindjus/DF, num breve balanço do Congresso afirma que “a aprovação destas resoluções armam a FENAJUFE e os sindicatos filiados para enfrentarmos Bolsonaro e, ao lado dos trabalhadores de outras categorias, tomarmos as ruas para defender os direitos e restabelecer a democracia. Agora é botar a mão na massa e preparar o 14 de junho.”

Também de Brasília, Roberto Policarpo integrou a chapa vencedora e vai compor a nova diretoria, eleito na Chapa “Reconstruindo a Fenajufe” (CUT, CTB, Consulta e independentes), que recebeu 197 votos.

Fonte: CUT Brasília

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