Os 100 dias de (des) governo Bolsonaro incrustaram no Brasil uma sensação de anormalidade. Cada dia, cada hora que se passa, mais volátil é a certeza do que acontecerá. Diante dos fatos replicados nos meios de comunicação, acentuadamente nas redes sociais, o que se projeta é a continuidade do medo. Principalmente quando se analisa que a conjuntura vem sendo marcada por todos os tipos possíveis de violência, incentivada e respaldada pelo governo em exercício.

Desde a posse do presidente Bolsonaro, casos de violência que têm como motivação a intolerância política/ideológica vêm sendo alastrados por todos os cantos do país. No último domingo (7), uma mulher apoiadora de Lula levou xingamentos, cuspes, empurrões e uma “gravata” de homens bolsonaristas, na Avenida Paulista (SP). Após todos esses tipos de violência, a mulher ainda foi algemada por policiais militares.

Ainda no domingo (7), no Rio de Janeiro, o automóvel que transportava Evaldo dos Santos Rosa e sua família foi alvejado por militares do Exército, uma ação, segundo a própria Força, feita “por engano”. Evaldo, de 51 anos, morreu na hora. Seu sogro foi baleado. A esposa, o filho de 7 anos e a amiga não se feriram, mas certamente ficarão com chagas psicológicas para o resto da vida.

A ação brutal do Exército foi retratada pelo repórter Carlos de Lannoy, em matéria publicada no próprio domingo, no programa Fantástico, da TV Globo. Ele foi ameaçado de morte minutos depois de a reportagem ir ao ar. Lannoy compartilhou em sua conta do Twitter a mensagem enviada em nome de Erik Procópio: “Se você escolher falar merda e defender bandido, é escolha sua! Seu merda! Se for errado, paga com a vida. Mexeu com o Exército, assinou sua sentença. Sua família vai pagar! Aguarde cartas!”.

No final do mês de março, a imprensa divulgou que o bispo dom José Francisco Falcão disse durante a celebração na Paróquia Militar de São Miguel Arcanjo, em Brasília, que “gostaria de dar um veneno de rato” para o “imbecil que nos anos 1970 cantou que é proibido proibir”, verso da canção É proibido proibir, de Caetano Veloso.

Os três exemplos compõem uma lista muito mais extensa de cenas absurdas e inaceitáveis registradas no último trimestre. A violência vem tomando uma dimensão generalizada, sendo os agentes não só indivíduos, mas também instituições nacionais e até representantes religiosos. Entretanto, praticamente a totalidade dos casos, traz como vítimas mulheres, negros, pobres e periféricos, sindicalistas, integrantes de movimentos sociais e/ou qualquer pessoa que se mostre ideologicamente diferente dos agressores ou confronte seus privilégios.

E como ter um cenário diferente em um país que tem na principal cadeira do Executivo federal alguém com a trajetória marcada por frases como “o único erro foi torturar e não matar”, “o cara tem que ser arrebentado para não abrir o bico”, “vamos fuzilar a petralhada”, “o filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele”? Como ter um cenário diferente quando os filhos e apoiadores desse mesmo presidente falam sem pudor frases como “quero que Hamas se exploda” e “se você falar mais alguma coisa, acabo com a sua vida”?

O governo Bolsonaro que se apresentou falsamente com um perfil moralizador para purificar as instituições, prender os corruptos, modernizar o País, mostra sua face ditatorial e corrupta. Ele implanta no imaginário coletivo a forma mais vil de governar. Primeiro, motiva e respalda a irrupção de monstros antes domados pela democracia e a vigência dos direitos humanos. Depois, legitima todas as ações inconcebíveis e obscenas e espalha como verdadeiras notícias falsas. Por fim, manipula grande parte da sociedade que padece de educação, politização, informação. E assim, tenta trocar os papéis de vilão e heroi no livro da história.

Embora o medo, é possível sim clarear o horizonte cinzento e fétido que se apresenta em nossas vidas. Temos que nos fortalecer, trabalhar para que a sociedade entenda que não é possível fazer política individualmente e desmascarar, de uma vez por todas, o atual governo, que atua em conluio com grandes empresas (principalmente as internacionais) em detrimento do fim da fome, da miséria, do desemprego e dos direitos do povo.

Nós da CUT combateremos a violência, que oprimi e tenta calar, com doses cavalares de resistência e luta. Somos milhares de vozes. E a nossa força é superior a qualquer ato grotesco de violência instigado pelo governo Bolsonaro. Formos forjados na luta e não abriremos mão do direito Constitucional do exercício da cidadania e da democracia. Fascistas não passarão!

Direção Executiva da CUT Brasília | Foto: Reprodução/Vídeo Chico Prado

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