Militarização nas escolas começa a mostrar sua face

Até poucos dias, quem chegava ao Centro Educacional 1, na Estrutural, encontrava muros bastante inclusivos, com artes diversas produzidas por grupos voluntários. Na parte externa ― considerado o “mural da inclusão”―, havia desenhos de crianças obesas, cadeirantes ou com algum tipo de deficiência, que deixava o ambiente mais humanizado.

Já no muro interior, destacava-se um grafite com o rosto do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Ao lado da imagem do ícone da luta pela igualdade racial, uma das suas brilhantes frases: “educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”.

Foto: Marília Marques/G1

Hoje, o local apresenta uma visão totalmente diferente, com poucas cores e sem nenhuma representatividade. Isso porque, na semana passada, os desenhos foram apagados, e os muros pintados de branco. Do lado de fora, o que antes exibia arte, agora estampa o nome “Colégio da Polícia Militar”. As mudanças, feitas a pedido da PM, são decorrentes da alteração na gestão da escola que, a partir de 2019, terá educação militar.

“Essa ação é uma demonstração prática de que esse projeto visa uma escola excludente e com censura, sem espaço para a livre expressão e a democracia. A mensagem é clara: é um modelo para poucos, e quem não estiver dentro do pensamento permitido, deve ficar de fora”, avaliou o secretário de Políticas Públicas da CUT Brasília, Yuri Soares.

Foto: Marília Marques/G1

Mandela, cidadão honorário do DF

Devido à sua luta histórica, em 1991, a Câmara Legislativa concedeu a Mandela o título de cidadão honorário do DF. A iniciativa foi do então deputado distrital Geraldo Magela (PT), que vê a ação no colégio como arbitrária.

De acordo com Magela, Mandela foi um líder de grande importância para seu povo que lutou pela igualdade, democracia e pela paz, não apenas em seu país, mas no mundo todo.
“Ele (Mandela) defendeu a educação como forma de garantir o desenvolvimento de um povo e da paz. Ao apagar sua imagem no Centro Educacional, agride-se a memória de Mandela, além do grafite, que é considerada uma arte por lei”, disse.

Militarização no DF

O projeto de doutrinação militar no DF, proposto pelo governo Ibaneis Rocha (MDB), ocorre a nível experimental também em outras três escolas: em Ceilândia, Recanto das Emas e Sobradinho. A ideia do governo é expandir a medida para outros colégios. A justificativa do GDF é que essas regiões apresentam “alto índice de criminalidade” e têm estudantes com “baixo desempenho” escolar.

Fonte: CUT Brasília com informações do G1. 

1 comentário

  1. É surpreendente que se queira educar sem acesso ao saber histórico, à construção da democracia, da liberdade, da igualdade. O mundo reverencia Nelson Mandela. Brasília impõe censura à imagem, trajetória do homem que virou sinônimo mundial de liberdade. Cidadania.

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