Trabalhadores e dirigentes protestam contra o fim do MTE

“Defender o Ministério do Trabalho (MTE) é defender nossos direitos”. Esse foi o lema do ato promovido pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais, Sindsep-DF, no início da tarde desta terça (18). Tanto o sindicato quanto os trabalhadores reafirmaram sua posição em repudiar a extinção do MTE, operante há 88 anos.

Desde sua instituição, durante o governo Vargas em 1930, o Ministério do Trabalho presta um serviço fundamental à classe trabalhadora brasileira, como lembra o presidente do Sindsep-DF, Oton Pereira Neves.

“É o MTE que garante que o patrão cumpra a lei. É ele que promove a fiscalização da exploração do trabalhador, evitando práticas análogas à escravidão. Sem ele, quem garantirá o recolhimento do FGTS, PIS, PASEP? Sem o Ministério do Trabalho, quem obrigará o patrão a pagar as férias, o 13° salário dos operários ou o seguro desemprego?”, questiona o dirigente.

Mas, o presidente eleito de extrema direita Jair Bolsonaro já deu o MTE por extinto e dividiu suas atribuições entre as pastas da Justiça, Economia e Cidadania.

Segundo o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, parte do Ministério do Trabalho irá para a pasta da Justiça. “Uma parte vai ficar com o ministro Moro, que é a da concessão de carta sindical”, disse.

Ele também informou que as questões que tratam das políticas ligadas a emprego, vão dividir-se entre Economia e Cidadania. Mas, quando perguntado sobre para onde iria a fiscalização de condições de trabalho, como o combate ao trabalho escravo, Lorenzoni desconversou e não soube informar.

“Por isso, nós, trabalhadores e trabalhadoras, estamos aqui protestando e resistindo contra o fechamento desse Ministério que é nosso, da classe trabalhadora, e não abriremos mão dele sem lutar”, disse Neves.

Presente ao ato, o dirigente do Sindicato dos Comerciários e coordenador da Contracs em Brasília, Luiz Saraiva, falou do risco do fechamento do MTE.

“O que o governo de Bolsonaro pretende fazer com o Ministério do Trabalho representa um brutal desserviço para a classe trabalhadora e o país. Eles se esquecem que são os trabalhadores que fazem girar a economia. Portanto, quando decidem tirar nossos direitos dessa maneira, acabam condenando o país a uma crise econômica sem precedentes”, alerta o sindicalista.

Foto: Luizinho/Contracs

Também presente na manifestação, o secretário de Finanças da CUT Brasília, Julimar Roberto, reforçou a necessidade da unidade.

“Por inúmeras vezes, Bolsonaro e sua equipe atacaram direitos como o 13º salário, abono de férias, seguro desemprego, como se dessem prejuízo ao país. Não foi à toa que ele disse que em seu governo, o trabalhador teria que escolher entre ter direito ou ter trabalho. Portanto, desde as eleições, já se sabia para quem Bolsonaro governaria: para os empresários, os ruralistas e o capital financeiro internacional. O fechamento do MTE e somente uma parte dos ataques que virão, porque ele também já anuncia que aprofundará a reforma trabalhista. Portanto, este ato reafirma a posição dos sindicatos de que iremos às ruas, resistiremos e denunciaremos todo retrocesso imposto aos nossos direitos e à democracia”, garantiu.

Entre diversos convidados, a atividade também contou com a participação do secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, e da deputada Erika Kokay (PT/DF).

Fonte: CUT Brasília

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