CUT segue denunciando o golpe no 4° Congresso da CSI

Sob o tema ‘Mudar as Regras’ (Change The Rules), o evento teve início no domingo (2) e reúne mais de 1.200 sindicalistas de 132 países. O secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, aproveitou a oportunidade para reforçar a denúncia do golpe à democracia, que resultou num brutal corte nos direitos sociais e trabalhistas no país.

O dirigente classificou o ‘movimento’ como um novo tipo de golpe de Estado, diferente dos vividos nas décadas de 1960 e 1970, em países da América Latina e da África. “Os novos golpes são uma combinação de interesses geopolíticos, especialmente em favor de potências do [hemisfério] Norte, com interesses de transnacionais e do sistema financeiro internacional”, afirmou.

Para Lisboa, países como os Estados Unidos “querem transformar a América Latina em seu quintal e, no caso do Brasil, tiveram na elite corrupta brasileira o apoio para derrubar Dilma Rousseff sem que ela tenha cometido crime algum, o que deu início a todo o processo que resultou na eleição de um candidato de extrema direita”.

Isso porque, segundo Lisboa, o passo seguinte do roteiro do golpe foi a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sem crimes nem provas, em um processo apontado por renomados juristas brasileiros e internacionais como inconsistente. “O Brasil inteiro sabia que Lula seria eleito presidente, por isso fizeram de tudo para impedi-lo de participar do processo eleitoral”.

Ao fazer a análise da eleição presidencial, Lisboa denunciou o processo marcado pela disseminação em massa de notícias falsas que interferiram no resultado final do pleito.

“A campanha foi baseada na falta de debate de propostas entre os principais candidatos e na disseminação de notícias falsas que deram vitória a Jair Bolsonaro, um candidato fascista, de extrema-direita, que já prometeu, entre outras coisas, mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, e acabar com ministérios como o do Trabalho e Meio Ambiente”.

O secretário de Relações Internacionais da CUT lembrou, ainda, que Bolsonaro tem a pretensão de romper o Acordo de Paris e tornar o país submisso não apenas aos Estados Unidos, mas especialmente a Donald Trump, o presidente de extrema-direita norte-americano.

Debates

Até o final da semana, serão realizados quatro debates para elaborar as futuras políticas da CSI. Os temas são Paz, Democracia e Direitos; Regulando o Poder Econômico; Mudanças Globais – Apenas Transições; e Igualdade.

O 4° Congresso da CSI encerra nesta sexta-feira (7), com a eleição da nova direção que comandará a entidade nos próximos quatro anos. Atualmente, a CSI é presidida pelo professor e cutista, João Antonio Felício, e representa 207 milhões de trabalhadores de 331 sindicatos nacionais em 163 países.

O portal da entidade transmite a programação ao vivo, inclusive, com tradução para o português. Assista aqui.

Fonte: CUT Brasília com informações da Nacional

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