Movimentos sociais são alvos de ataques pelo país

Não bastasse a ofensiva do Projeto de Lei do Senado (PLS) 272/2016, tramitando às pressas no Congresso Nacional, que tem como principal objetivo criminalizar os movimentos sociais, os ataques a esses grupos intensificaram nos últimos dias. Em menos de uma semana, três ações já foram registradas.

Na terça (30), o acampamento Comuna Irmã Dorothy, Tamboril, no Ceará, foi incendiado. Era início de noite quando quatro homens se aproximaram do local, atearam fogo próximo aos barracos e saíram aos gritos. Apesar dos momentos de tensão, nenhum acampado ficou ferido. A Polícia Militar e o Corpo de bombeiros foram acionados, mas não encontraram os criminosos.

O acampamento em Tamboril é uma ocupação que resiste há mais de quatro anos. As 150 famílias acampadas reivindicam a desapropriação da fazenda Cacimbinha, que pertence à família Timbó.

Já na noite de sábado (27), mais uma vez, o MST foi vitimado. Um dia antes do segundo turno das eleições, os ataques ocorreram em Mato Grosso do Sul (MS). O acampamento Sebastião Billar, localizado no município de Dois Irmãos do Buriti, foi alvo de eleitores do presidente eleito ultradireitista, Jair Bolsonaro (PSL), que atearam fogo nos barracos.
Foi necessário que moradores se mobilizassem para impedir estragos e perdas maiores. Apesar dos danos materiais, as chamas foram contidas e ninguém se feriu.

O acampamento Sebastião Billar foi formado em 9 de julho de 2017 e abriga 240 famílias. O nome do espaço é uma homenagem a “Tiãozão”, militante histórico do movimento no MS.

Em entrevista ao portal Brasil de Fato, a integrante da direção nacional do MST, Marina Ricardo Nunes, definiu o episódio como um crime eleitoral. “O estado do Mato Grosso do Sul é conservador e reacionário, onde o agronegócio e o latifúndio protagonizam uma ofensiva muito grande”, denuncia.

Uma conjuntura ameaçadora

Também essa semana, moradores do acampamento Quilombo Campo Grande, localizado em Campo do Meio, sul de Minas Gerais, denunciaram o desrespeito a uma luta de mais de 20 anos.

Considerado um dos conflitos agrários mais antigos do país, as famílias receberam a promessa do atual governador de serem assentadas ainda este ano. Mas, segundo denunciam os acampados, criou-se um conluio jurídico entre os grandes fazendeiros, deputados da bancada ruralista e empresas do agronegócio da região, que se organizaram num processo de despejo, estimulados pelo discurso do presidente eleito.

Bolsonaro, em várias falas, garantiu que acabaria com a reforma agrária e as áreas demarcadas para os quilombos e as reservas indígenas e, mesmo antes de tomar posse, suas afirmações já encorajam aproveitadores.

Preocupada com a ameaça, a direção do MST de MG lançou uma nota pública na qual esclarece que os acampados já contam com “infraestrutura de energia elétrica, casas de alvenaria e produzem uma grande diversidade agroecológica, como café, muitas variedades de milho, feijão, hortaliças, frutas, sementes orgânicas gado, galinhas, porcos”.

Ressalta, ainda, que o acampamento gera renda e que, caso sejam despejadas, mais de duas mil pessoas ficarão desalojadas. Por fim, a nota enfatiza que o grupo continuará lutando e solicita o apoio de outras organizações simpatizantes para estarem presentes na audiência marcada no fórum de Campos Gerais, dia 7 de novembro, às 13h.

Fonte: CUT Brasília com informações do MST

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