Veja carrega a metralhadora de fake news para elevar a rejeição de Haddad na reta final

A metralhadora fake news da campanha bolsonarista ganhou hoje um conhecido e velho aliado: a revista Veja. Com uma simples mudança de data em uma matéria de 2012, Veja carregou a engrenagem da campanha de desinformação que corrói o processo democrático das eleições de 2018.

Indexada no Google com data de 1º de outubro, a matéria se tornou nesta quinta (4) uma das mais compartilhadas por apoiadores da campanha bolsonarista. A foto em destaque é de Temer entre Haddad e seu então candidato a vice Gabriel Chalita na prefeitura de São Paulo. Na época, o PMDB compôs com o PT na eleição. Temer era vice decorativo de Dilma Rousseff e não havia ainda traído a presidenta, de quem continuou vice na chapa presidencial de 2014. A traição viria em 2015.

Disfarçada de uma ingênua atualização de conteúdo, a revista colocou nas mãos da turma do vale-tudo o falso apoio do presidente ilegítimo que golpeou o governo de Dilma Rousseff, como se fosse atual.

Com reprovação digna de nota no Guinness, 97%, a revista tenta arremessar toda a insatisfação do governo Temer no colo de Haddad na tentativa de elevar a rejeição do candidato petista. Esse é um dos grandes esforços de reta final da campanha bolsonarista: igualar a rejeição de Haddad à de Bolsonaro, uma preparação para o segundo turno.

Seguidos de frases como “não era golpe?”, “é tudo farinha do mesmo saco”, “tapa na cara dos brasileiros”, “lembre-se dessa foto na urna”, Veja abre mais uma trincheira ser combatida na escalada desenfreada de produção de fake news.

E se você estranhar que a matéria data de 2012, não se assuste. A velha máxima de que uma imagem vale mais do que mil palavras, ainda está no prazo de validade. Para os detratores, esse é um mero detalhe. Para os incautos, passa desapercebida.

Omissão do TSE é adubo para antijornalismo de Veja

Sob o silêncio do Tribunal Superior Eleitoral – que chegou a declarar guerra incansável contra fake news ainda antes de o ex-presidente Luiz Fux passar o comando para Rosa Weber – seria essa uma fake news? Veja repete a mesma bolorenta estratégia, que a tornou estudo de caso em tantos cursos de Jornalismo, como material de antijornalismo.

Recentemente, a revista – produto da Editora Abril, que gosta de cornetar rumos para a economia, mas está em processo de recuperação judicial e devendo direitos a mais de 1.200 funcionários demitidos – travestiu suas capas e editoriais de conteúdos contra fake news, bradando a bandeira da verdade e da objetividade, para com isso blindar-se de suas velhas práticas que datam da redemocratização no Brasil.

Veja sofisticou as armadilhas que instala no caminho do leitor/eleitor. Já nas eleições de 1989, carimbou seu passaporte para as profundezas sombrias do jornalismo, ao cravar seu apoio a Fernando Collor com o objetivo de impedir a eleição de Lula. Com o candidato impoluto na capa, àquela altura Collor ainda era um desconhecido, o tabloide aderiu à meta de alçar o “O caçador de marajás” à cadeira de presidente da República.

Mais recentemente, na quinta-feira anterior ao primeiro turno das eleições de 2014, Veja desceu seu antijornalismo à categoria de panfleto, com a capa “Dilma e Lula sabiam de tudo”. O panfleto foi literal, já que aecistas fizeram milhares de cópias da capa da revista e a distribuíram desesperadamente nas ruas. Analistas sugerem que essa capa deslocou 9% de intenções de voto de Dilma para Aécio Neves.

Há material farto sobre a revista, como o vídeo do site Justificando que analisa 100 capas, de 2013 até os dias de hoje, e seus artifícios de manipulação.

O que se sabe é que ainda possuímos poucos anticorpos para lidar com a quantidade e checar a qualidade das informações que recebemos. Ainda somos permeáveis e crédulos diante de conteúdos e mecanismos cada vez mais sofisticados de manipulação. Nos idos anos em que televisões ocupavam lugar de prestígio nas salas de casa, adultos e crianças acreditavam que propagandas diziam a verdade.

Gioconda Bretas
Jornalista – Mestre em Comunicação (UNB)

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