MPT | CUT Brasília denuncia dono da Havan, cabo eleitoral de Bolsonaro

O empresário Luciano Hang, dono da Havan Lojas de Departamento e cabo eleitoral de peso do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), foi denunciado no Ministério Público do Trabalho pela CUT Brasília, nesta terça-feira (2/10). Na denúncia, a Central relata coações que Hang vem fazendo com seus mais de 12 mil empregados, “orientando-os” a votar em Bolsonaro sob pena de perder o emprego. (Veja aqui o vídeo).

“Na denúncia feita pela CUT Brasília ao MPT, nós afirmamos que a empresa Havan, através do seu proprietário, Luciano Hang, viola flagrantemente o direito fundamental à livre orientação política no campo das relações de trabalho. Além de ameaçar demitir os trabalhadores caso Bolsonaro não seja eleito, ele ainda faz pesquisas de intenção de votos nos locais de trabalho, desrespeitando a liberdade de consciência, convicção política ou filosófica, a intimidade e a vida privada, que são direitos fundamentais de todos e todas”, afirma o secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília, Julimar Roberto.

O dono da Havan ainda “orienta” que os funcionários usem camisetas que estampam frases em defesa do presidenciável que tem a maior rejeição do eleitorado (44%), segundo a última pesquisa do Ibope. Luciano Hang também vem comprando espaço publicitário em canais de tevê de Santa Catarina, sede da rede, para fazer campanha a favor de Bolsonaro. Na publicidade, funcionários da Havan são obrigados a fazer figuração enquanto o patrão alerta para os “riscos de comunismo” no Brasil.

Em um dos vídeos publicados em suas redes sociais, Luciano Hang diz: “Talvez a Havan não vai abrir mais lojas (sic). E aí se eu não abrir mais lojas ou se nós voltarmos para trás? Você está preparado para sair da Havan? Você está preparado para ganhar a conta da Havan? Você que sonha em ser líder, gerente, e crescer com a Havan, você já imaginou que tudo isso pode acabar no dia 7 de outubro?”.

A CUT Nacional e outras entidades sindicais de trabalhadores também denunciaram a prática inconstitucional da Havan contra seus trabalhadores. “Luciano Hang está agredindo o Estado Democrático de Direito, utilizando a prerrogativa de patrão. É claro para todos nós que, na relação de trabalho, o trabalhador fica fragilizado diante de ‘orientações’ do patrão, e com medo de perder o emprego, acaba sendo coagido a fazer o que ele determina”, alerta o secretário de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle.

“A gente espera que a Justiça Trabalhista aplique as sanções necessárias à empresa Havan e ao seu proprietário, Luciano Hang. São absolutamente inconcebíveis tais práticas, que violam direitos fundamentais da pessoa humana, garantidos não só na nossa Constituição de 1988, mas também em Convenção da Organização Internacional do Trabalho”, reivindica o presidente-interino da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues.

A rede de Hang tem mais de 100 lojas e cerca de 12 mil funcionários pelo país, com faturamento de mais de R$ 5 bilhões em 2017.

Fonte: CUT Brasília

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