Incra é usado para benefícios políticos e partidários

Enquanto a reforma agrária no Distrito Federal segue na estaca zero, políticos se aproveitam de cargos públicos para assegurar privilégios particulares. No caso mais recente, denunciado pela reportagem do Portal Metrópoles, o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Igor Soares Lelis, assinou título de domínio de terras em benefício do filho do deputado federal e candidato ao Senado, Izalci Lucas ( PSDB).

“Isso é crime, vai contra a proposta de reforma agrária do MST, e os envolvidos precisam ser punidos. Enquanto estamos penando para conseguir licença de instalação de assentamentos e regularização pela lei de Reforma Agrária de várias áreas, observamos a entrega de áreas públicas para grileiros de terras a partir de interesses particulares, aparelhando o Incra por meio de cargos de confiança e utilizando a máquina para ganhar votos. Uma vergonha. Essas áreas devem, por lei, ser destinadas para assentar as mais de três mil famílias sem terra que existem no DF hoje”, avalia Marco Baratto, da direção nacional do MST.

Vale lembrar que Lelis é filiado ao PSBD desde 2005 e ocupa o cargo por indicação de Izalci, que é presidente da sigla no DF. O título assinado por ele transfere 27,4 hectares ― 274 mil metros quadrados ― da União para Renato Fernandes Ferreira, que pagará R$ 17.771,82, em dezessete parcelas anuais de R$ 1.045,40, no Projeto Integrado de Colonização (PIC) Alexandre Gusmão, em Brazlândia. O PIC é um programa social voltado a famílias de assentados da reforma agrária.

O que também chama a atenção no “acordo” é o valor de R$ 646, 59 por hectare pago na transação, que é bem menor que o cobrado pelo Incra. De acordo com tabela pública da entidade, a quantia mínima por hectare no DF é R$ 2.151, o que quer dizer que o filho de Izalci pagará um terço a menos do que as pessoas atendidas pelo projeto.

Voto de cabresto

De acordo com Baratto, desde o golpe de Estado em 2016, as verbas do Incra foram drasticamente reduzidas. A partir daí, a entidade foi entregue a políticos de direita, sem compromisso real com os trabalhadores e com a Reforma Agrária.

“Houve a legalização da grilagem de terras por intermédio do Incra. Eles estão pegando as áreas mais frágeis, em sua maioria, assentamentos, cooptando famílias em troca de títulos de domínio, que é um documento de caráter definitivo, para ganhar votos. Reforma Agrária não é balcão de negócios”, disse.

Baratto destaca que o MST continuará lutando pelo fortalecimento dos assentamentos e acampamentos no DF e construindo um projeto de Reforma Agrária Popular.

Fonte: CUT Brasília

1 comentário

  1. É triste, perceber o desconcerto, o desmonte acontecendo em todos segmentos de poderes, públicos e politicos, e o pior é que tudo isso tem o apoio de grande parte de pessoas inconcientes, que contribuem ao votar na direita dominante, uma elite escravocata e reacionários!

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