PESQUISA | Mais de 97% dos professores da rede pública já presenciaram violência na escola

Quando se pensa em uma sala de aula, vem à mente um ambiente plural e diverso, em que professor e alunos desenvolvam uma relação mútua de aprendizado. De um lado, o primeiro orienta. Do outro, o segundo é orientado sem também deixar de ensinar. No Distrito Federal, no entanto, essa imagem que paira no imaginário ganha outra forma quando entra em jogo um novo elemento: a violência escolar.

Estima-se que 97,15% dos professores da rede pública do DF tenham presenciado algum tipo de violência. Desse total, 57,17% foram vítimas do ato violento. Os dados são de uma pesquisa desenvolvida pelo Sinpro ― sindicato que representa os docentes ―, em 2017, intitulada “Violência nas escolas públicas do Distrito Federal”. A análise contou com a participação de 1.355 professores, que responderam um formulário enviado por e-mail pelo sindicato.

Dirigente do Sinpro-DF, Rosilene Corrêa explica que a pesquisa foi motivada pelo gradativo agravamento da insegurança no ambiente escolar, fator que tem resultado no adoecimento da categoria, inclusive, causado transtornos emocionais. “Tomamos a iniciativa de fazer a pesquisa para ouvir a opinião de quem está dentro da escola diariamente. Ela traz a constatação daquilo que já sabíamos, mas, agora, comprovado por dados”, disse.

Ela esclarece ainda que questão da segurança nas escolas é demanda recorrente dos docentes e tem sido pauta das intervenções do sindicato por melhoria para os trabalhadores. Em 2008, por exemplo, a entidade lançou a campanha permanente “Quem bate na escola maltrata muita gente”. Anualmente, a ação realiza um concurso de redação que premia estudantes e professores que apresentarem as melhores redações ou desenhos sobre a temática do ano.

“A pesquisa é um termômetro para mostrar o fiasco que é a política de choque de gestão e de Estado mínimo adotada pelo atual Governo do Distrito Federal (GDF). Os dados deixam claro que a redução drástica de investimento de dinheiro público na educação, na saúde e na segurança é a causa do recrudescimento do número de atos violentos dentro das escolas, do aumento da evasão escolar e do adoecimento da categoria”, afirma.

A partir da exposição dos dados adquiridos na pesquisa, Rosilene Corrêa explica que o próximo passo é apresentá-los ao GDF para que sejam tomadas as medidas necessárias. Para a dirigente, o agravamento da violência tem ligação direta com a carência de investimento e políticas públicas voltadas ao setor educacional. “É preciso de melhorias nas escolas, tornando o ambiente mais prazeroso para o aluno, para que eles cuidem melhor do espaço e um dos outros. Nós, do sindicato, vamos atuar juntos às escolas para desenvolver ações que, ao menos, amenizem essa situação. Ações que envolvam toda a sociedade no combate à violência, pois a responsabilidade é de todos nós. Mas, é claro, o governo tem uma responsabilidade muito maior nisso”, finaliza.

Fonte: CUT Brasília

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