Banqueiros não apresentam proposta. Novas assembleias de bancários serão realizadas na quarta, 8

Na quinta rodada de negociação da Campanha 2018 com o Comando Nacional dos Bancários, realizada nessa quarta-feira 1º em São Paulo, a Fenaban mais uma vez frustrou a expectativa da categoria e não apresentou propostas nem para as reivindicações econômicas e de igualdade de oportunidades e tampouco para as cláusulas de saúde, condições de trabalho e emprego que haviam sido discutidas nas reuniões de julho. Os bancos prometeram apresentar uma proposta global na próxima rodada, na terça-feira 7, às 10h.

O Comando Nacional orienta as entidades sindicais a realizarem assembleias na quarta-feira 8 de agosto para avaliar tanto a proposta dos bancos como também para definir a participação dos bancários no Dia do Basta. Em Brasília, a assembleia terá início às 19h, no Teatro dos Bancários (EQS 314/315).

“É importante reafirmar que não estamos defendendo somente a manutenção dos direitos assegurados na Convenção Coletiva. Queremos também aumento real de salário, igualdade de oportunidades, preservação da saúde e melhores condições de trabalho, combate às metas abusivas e ao assédio moral”, acrescenta Eduardo Araújo, integrante do Comando e presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília.

Novo Censo da Diversidade

O Comando Nacional defendeu na mesa de negociação a adoção de políticas e medidas concretas para incentivar a igualdade de oportunidades e combater todos os tipos de discriminações que existem na sociedade e se reproduzem dentro dos bancos.

“Falamos sobre o machismo que se reproduz nos bancos na forma de salários diferenciados e ascensão profissional mais difícil para as mulheres, que levam a assédio moral e sexual. Não basta colocar regras no código de ética. É preciso criar uma nova cultura de combate às discriminações e ao machismo, com campanhas permanentes e inclusão do tema no dia a dia. Por isso é importante a realização de um novo Censo da Diversidade no ano que vem. Eles disseram que vão pensar”, afirma Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional.

A disparidade entre os lucros e os salários

O Comando Nacional mostrou mais uma vez na mesa de negociação nesta quarta a disparidade entre os lucros do sistema financeiro e a remuneração da categoria. Desde 2003, o lucro dos bancos subiu 159,5% acima da inflação. No mesmo período, com toda luta e mobilização da categoria bancária por direitos e aumento real para salários, PLR, vales e auxílios, o crescimento real da remuneração desde 2004 foi de 20,3% nos salários e 41,6% no piso.

Em 2017, somente os cinco maiores bancos tiveram lucro líquido de R$ 77,4 bilhões, 33,5% mais que no ano anterior. No primeiro trimestre deste ano, foram mais R$ 20,6 bilhões (aumento de 20,4%). Itaú, Bradesco e Santander já divulgaram os lucros do semestre, que foram, respectivamente, de R$ 12,8 bilhões, R$ 10,2 bi e R$ 5,9 bi.

E apesar de os bancários conquistarem 20,3% de aumentos reais acumulados no salário a partir de 2004, acumulando 41,6% nos pisos, a remuneração média da categoria caiu para 10,9%, em razão da alta rotatividade, mecanismo pelo qual os bancos demitem os trabalhadores com maiores salários para contratar por custo mais baixo.

Acionistas e altos executivos ganham fortunas

Além disso, somente com o que arrecadam na receita com tarifas, os bancos pagam toda sua folha de pagamento com sobras de quase 80%, ou praticamente outra folha inteira.

Se economizam com os bancários que estão na linha de frente nas agências e departamentos, o mesmo não se dá com os executivos. No Itaú, um diretor chega a ganhar quase 250 vezes mais que um escriturário. No Bradesco, 121 vezes mais; no Santander, 105.

E também os acionistas embolsam fortunas com os lucros recordes das instituições financeiras. Segundo a consultoria Economática, os bancos distribuíram R$ 28,3 bilhões em dividendos a seus acionistas em 2017. Somente as três famílias que controlam o Itaú embolsaram R$ 9 bilhões em 12 meses.

A pauta de reivindicações da categoria foi aprovada pela 20ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada de 8 a 10 de junho em São Paulo, e entregue à Fenaban no dia 13 de junho.

As principais reivindicações

˃ Assinatura de pré-acordo para estender a validade da Convenção Coletiva (que expira em 31 de agosto) até que novo acordo seja firmado, garantindo assim a manutenção de todos os direitos da categoria.

˃ Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.

˃ Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações e ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

˃ Aumento real de 5%.

˃ PLR de três salários mais R$ 8.546,64 fixos para todos.

˃ Pisos salariais:

• R$ 3.747,10 para portaria, contínuos, serventes e escritório.

• R$ 5.058,59 para caixas, operadores de atendimento, empregados de tesouraria, analistas de crédito e os que efetuam pagamentos e recebimentos.

• Primeiro comissionado: R$ 6.370,07 (incluindo gratificação de função).

• Primeiro gerente e técnico de TI: R$8.430,98 (incluindo gratificação de função).

˃ Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 954,00 (salário mínimo nacional).

˃ Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários, garantindo salários iguais para as mesmas funções, preservando a isonomia salarial.

˃ Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

˃ 14º salário.

˃ Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, como determina a legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.

˃ Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transsexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Fonte: Sindicato dos Bancários de Brasília com Fetec-CUT/CN

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