Lula diz em vídeo inédito que judiciário não é local para fazer política

O ex-presidente Lula divulgou, em suas redes, um vídeo inédito, nesta terça-feira (17), dia em que completa 100 dias preso na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. No vídeo, Lula diz que o judiciário não é local para se fazer política:”Fazer política na Polícia Federal, fazer política no Ministério Público e fazer política no Poder Judiciário é um equívoco que o Brasil não pode permitir”

O vídeo foi gravado no dia 7 de abril, poucos momentos antes de sua prisão, em São Bernardo.

No vídeo, Lula diz ter se transformado no cidadão mais indignado da história do Brasil. “O juiz Moro sabe que eu sou inocente. Os juízes do TRF-4 sabem que eu sou inocente. Eu queria que eles julgassem o mérito do processo, o mérito da acusação contra mim, que lessem a defesa das acusações e encontrassem um crime que eu cometi. E aí eles poderiam me prender tranquilamente e eu acataria com todo o respeito a decisão porque eu acho que nós precisamos acreditar que a justiça é para fazer justiça”, disse.

Lula chamou a atenção para “uma coisa muito grave acontecendo, porque parece que eu sou o sonho de consumo dos ministros que me julgaram e do juiz Moro. Porque me parece que eles não querem, em hipótese alguma, junto com a Rede Globo de Televisão e outros instrumentos de comunicação do Brasil, que a Lava Jato acabe ou que eu seja inocentado antes de ser preso”, alertou.

O ex-presidente voltou a desafiar os juízes e a Polícia Federal: “A única coisa que eu quero é que seja analisado o mérito do meu processo. O dia que me provarem um meio crime que eu cometi nesse país, eu irei cumprir todas as decisões sem nenhuma preocupação. O que eu não posso é aceitar que prevaleça a mentira contada pela Polícia Federal da Lava Jato no inquérito, aceita pelo ministério público para me acusar e aceita pelo Sérgio Moro para me condenar”.

Em momento chave, Lula diz que a justiça não é o local para fazer política: “Não posso aceitar essa decisão como uma coisa normal. Se essa gente quer fazer política, é melhor deixar suas funções de representação do Estado brasileiro, de representação da função pública nesse país, e entre num partido e se candidate, venha fazer política, mas fazer política na Polícia Federal, fazer política no Ministério Público e fazer política no Poder Judiciário é um equívoco que o Brasil não pode permitir”.

Ele disse ainda que o “país tá precisando de paz, de tranquilidade, de voltar a crescer, gerar empregos, gerar oportunidades e esperanças, para milhões e milhões de pessoas que estão desempregadas. E essa gente não pode ser pega todo dia com o show de pirotecnia feita com prisões, com solta e prende e solta, às vezes sem nenhum critério, a não ser o critério de divulgação da mídia”, disse.

Ao final, se disse indignado e evocou a sua vida pública: “Eu, com toda a minha responsabilidade que tenho numa vida política de mais de cinquenta anos, com tudo que sei que represento nesse país eu quero dizer que estou indignado e não posso aceitar uma decisão política, porque um processo não pode ter conotação política”, encerrou.

Fonte: Revista Fórum

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