Por unanimidade, Congresso da Contraf-CUT aprova plano de lutas da categoria

Os delegados e delegadas presentes ao 5º Congresso Nacional da Contraf-CUT aprovaram por unanimidade na tarde deste domingo (8), após dois dias de debates, o plano de lutas que vai nortear as ações da entidade para o próximo período, à frente do qual estará a nova diretoria eleita. O encontro foi em São Paulo.

“O plano de lutas foi construído a partir das discussões realizadas durante todo o Congresso e sua execução depende de cada um dos sindicatos que participaram desse encontro”, resumiu a presidente eleita da Contraf-CUT, Juvandia Moreira. “Esse golpe que está acontecendo aqui [no Brasil] também ocorre em todo mundo. É um golpe contra a democracia, contra o trabalhador. É fundamental que a unidade que tivemos aqui para a construção desta chapa aconteça também nas nossas bases. O compromisso desta gestão é com a luta pela classe trabalhadora”.

O plano de lutas está divido em quatro grandes eixos principais, que tratam basicamente dos desafios dos trabalhadores em 2018 e do futuro do trabalho frente aos avanços tecnológicos, para construir uma mobilização que contribua com a construção do “Brasil que queremos” passando por um “projeto organizativo do Ramo”.

Desafios

Um dos desafios a serem superados em 2018 é a manutenção dos direitos previstos nas atuais Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) dos bancários e dos financiários, já que será a primeira Campanha Nacional após a aprovação da reforma trabalhista. E a Contraf-CUT está preocupada em garantir a ultratividade da convenção, vedada pelo parágrafo 3º do artigo 614 da nova Lei Trabalhista.

A Campanha Nacional de 2018 terá ainda como objetivos estratégicos a manutenção da mesa única de negociações; a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, mantendo seu caráter nacional e a integralidade das conquistas da categoria; renovar também os acordos específicos sem perda de conquistas. A campanha deve estar ainda focada na defesa do emprego, dos bancos públicos e do papel social dos bancos, além do fortalecimento da representação da categoria.

Outro desafio que deve ser enfrentado desde 2018 é defesa da democracia e da soberania popular. “Isso também passa pelas eleições de 2018, que será um marco estratégico para a classe trabalhadora. O atual governo representa uma ruptura na democracia. Temer assumiu o poder depois de um golpe de Estado. Lutar pela vitória do campo democrático e popular significa também garantir a continuidade do projeto que estava promovendo a distribuição de renda, o acesso das classes populares à universidade, a erradicação da fome, a valorização salarial com o consequente aumento do poder de compra do trabalhador. Significa reverter a retirada de direitos e a desarticulação do projeto neoliberal que tanto afeta aos trabalhadores e especificamente a classe bancária”, disse Juvandia.

Futuro do trabalho e avanços tecnológicos

Tendo como certa a impossibilidade de reversão da ampliação do uso de ferramentas tecnológicas e as consequentes reestruturações dos bancos, com mudanças nos perfis dos cargos e dos trabalhadores, o plano de lutas da categoria também prevê ações em defesa do emprego, não lutando contra a tecnologia, mas discordando do mau uso que é feito dela, apontando que não há redução da sobrecarga de trabalho e nem dos custos dos serviços bancários. Ao contrário, os bancários trabalham cada vez mais e os clientes pagam tarifas cada vez mais caras.

O Brasil e o sistema financeiro que queremos

O plano de lutas da categoria prevê ações em defesa da democracia, liberdade de organização e de imprensa, sem oligopólios de comunicação.

“Nosso Congresso está inserido na história. Depois de fazermos a primeira greve contra o governo golpista, tendo conseguido em pleno golpe fechar um acordo de dois anos, ontem (sábado, 7) fizemos a eleição da nossa direção para os próximos quatro anos. A eleição mal se deu e a história estava rolando. Paramos nossas atividades para ver a história se fazendo na nossa cara”, lembrou Roberto von der Osten, referindo-se à prisão de Lula.

“A palavra é resistência”

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, trouxe um recado de Lula para a categoria. “Ele espera que a gente ande por ele com nossas pernas, fale por ele com nossa voz. Que a gente faça uma campanha diária pela libertação dele, porque ele foi preso por defender o projeto de garantia de direitos dos trabalhadores”, disse o presidente da CUT.

Para Vagner, “os dirigentes sindicais têm que ir às agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e dizer que, se eles querem impedir que os bancos sejam privatizados, precisam fazer campanha pela liberdade de Lula, pois somente ele é capaz de vencer os candidatos que estão promovendo as reestruturações nos bancos públicos porque querem privatizá-los. E nos bancos privados, dizer que Lula está preso porque disse que vai revogar a reforma trabalhista, que retira direitos dos trabalhadores”. E arrematou: “a palavra é resistência”.

Projeto organizativo dos trabalhadores do ramo financeiro

A Contraf-CUT também buscará organizar e representar todas as categorias profissionais que atuam no ramo financeiro por meio de empresas terceirizadas e de maneira precária, assim como avançar na organização do macrossetor de serviços da CUT, criar redes de estruturas e serviços compartilhados, manter a autonomia sindical e buscar novas fontes de receitas para as entidades sindicais e ampliar as formas de organização dos trabalhadores fora do ambiente de trabalho, estabelecendo parcerias e ampliando a relação com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Moções

Os delegados e delegadas do 5º Congresso da Contraf-CUT aprovaram ao final da atividade duas moções de repúdio. Uma contra a intervenção militar no Rio de Janeiro e outra contra a utilização da Justiça como forma de interferência na organização do Congresso.

Fonte: Contraf-CUT

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