Sindicalistas criticam reestruturação do BB que reduz agências e empregos

Representantes sindicais criticaram nesta terça-feira (13) a reestruturação do Banco do Brasil, que deve fechar agências pelo País e está promovendo a aposentadoria de mais de 9.400 funcionários, durante audiência da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

Anunciado em 21 de novembro, o plano prevê o fechamento de 402 agências pelo País e a transformação de outras 379 em postos de atendimento – com atuação focada em empresas e com menos funcionários.

A maioria das agências a serem fechadas está localizada em praças onde o banco comprou outras instituições financeiras (Nossa Caixa e Besc). A reestruturação também estabelece a ampliação do atendimento digital e a redução da jornada de trabalho.

Mais de 9.400 funcionários decidiram aderir ao plano de aposentadorias incentivadas, com prazo final de adesão encerrado na última sexta-feira (9). Segundo o banco, as aposentadorias gerarão uma despesa de R$ 1,4 bilhão neste ano, mas uma redução com pessoal de R$ 2,3 bilhões no ano que vem. O público potencial do programa era de 18 mil pessoas.

Sem transparência

Para os trabalhadores, não ficou clara a motivação por trás da reestruturação num banco que tem papel social no país. O fechamento de agências vai atingir clientes com baixo poder aquisitivo no interior do País, sem acesso à internet, que dependem do banco para conseguir acesso a salário, aposentadoria e incentivo agrícola.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Eduardo Araújo, reforçou a falta de transparência na reestruturação, em especial na definição das agências a serem fechadas. “A gente não tem conhecimento de fato para saber quais foram os critérios. As escolhas não têm justificativa do ponto de vista comercial.”

Pequenos municípios

Representantes do BB apenas reafirmaram apenas, de forma genérica, que a reorganização da empresa busca eficiência operacional e melhores condições de trabalho e está atenta aos clientes. O diretor de Estratégia e Organização do banco, Carlos Netto, por exemplo, fez questão de ressaltar o foco no mercado. “Temos responsabilidade imensa por termos acionistas minoritários, além do Tesouro como acionista majoritário.”

O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), autor do requerimento para realização da audiência pública desta terça-feira, afirmou que a transformação de agência em posto de atendimento dificultará a vida de correntistas do banco. “Muitos municípios no interior só têm uma agência bancária. Vai se transformar em um posto de atendimento, que não tem as mesmas atribuições, a mesma autonomia que tem uma agência”, criticou.

Almeida e a deputada Erika Kokay (PT-DF) defenderam a realização de mais uma audiência sobre o tema para discutir a repercussão na sociedade das medidas tomadas pelo banco. O debate deve ficar para o início de 2017.

Fontes: Câmara dos Deputados e Seeb Brasília

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